O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve indicar nesta terça-feira (31/03) o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A cadeira ficou disponível após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Lula havia anunciado a escolha de Messias há quatro meses. A formalização ao Senado estava pendente desde então. O envio da mensagem ao Congresso Nacional sofreu atraso devido a um impasse com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Messias é servidor público de carreira. Atuou como procurador do Banco Central e procurador da Fazenda Nacional. Chegou ao círculo próximo de Lula por meio da ex-presidente Dilma Rousseff, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
O advogado construiu sua carreira com alinhamento ao Partido dos Trabalhadores e aos governos petistas. Seu envolvimento com o movimento sindical das carreiras da Advocacia-Geral da União o levou ao Ministério da Educação durante a gestão de Mercadante. Exerceu a função de secretário de Regulação. Foi nesse período que estabeleceu aproximação com dirigentes do PT.
Durante o governo Dilma, ocupou o cargo de subchefe de Assuntos Jurídicos. Trabalhou diretamente com a então presidente em um período considerado delicado para o PT no Planalto.
Em 2019, trabalhou no gabinete do senador Jaques Wagner. Com a vitória de Lula em 2022, obteve papel de destaque já na transição. Coordenou o grupo dedicado a temas relacionados à Transparência, Integridade e Controle.
Pessoas próximas ao advogado destacam que sua lealdade ao partido foi determinante para a escolha. Caciques petistas o consideram um quadro fiel. Não abandonou a legenda mesmo nos momentos mais difíceis.
Ao assumir o comando da defesa do governo federal no STF, Messias imprimiu um caráter mais político à Advocacia-Geral da União. Passou a integrar o grupo de ministros responsável por articular soluções para os principais conflitos do governo.
Tornou-se o principal interlocutor do presidente no Supremo. Estabeleceu trânsito entre os 11 ministros da Corte. No final de 2023, participou da aproximação entre Lula e Barroso, quando este assumiu o comando do STF. Messias e o ministro Cristiano Zanin trabalharam para que o presidente e Barroso superassem rusgas do passado.
À frente da AGU, estabeleceu proximidade com os ministros Nunes Marques e André Mendonça. Ambos foram indicados ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dentro do governo, construiu uma relação próxima com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Tem entre seus principais aliados os ex-ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
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Em março de 2016, o nome de Messias ganhou exposição nacional devido a uma interceptação telefônica divulgada durante a operação Lava Jato. A gravação captou uma conversa entre Lula e Dilma Rousseff. A ex-presidente avisou a Lula que enviaria, por meio de “Bessias”, um termo de posse para que ele assinasse e se tornasse ministro da Casa Civil.
A interceptação foi captada depois que o então juiz Sergio Moro havia mandado as operadoras de telefonia interromperem as gravações. A divulgação foi considerada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal.
Messias e Dilma nunca se afastaram. A ex-presidente esteve na cerimônia de posse de Messias como ministro da AGU, em 2023. Dilma também participou de um jantar reservado à família e amigos próximos do advogado-geral.
Com o envio da indicação ao Senado nesta terça-feira (31/03), o nome de Messias será submetido à sabatina e votação pelos senadores.




