Médicos da Polícia Federal concluíram que Jair Bolsonaro pode continuar cumprindo pena na Papudinha, unidade do Complexo da Papuda, mesmo necessitando de cuidados específicos de saúde.
A avaliação médica ocorreu em 20 de janeiro, cinco dias após a transferência do ex-presidente da Superintendência da PF para a atual unidade prisional, onde cumpre sentença de 27 anos e 3 meses pela participação em trama golpista.
O laudo elaborado pelos peritos identificou que Bolsonaro é portador de algumas condições crônicas como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, refluxo gastroesofágico, lesões na pele e aderências intra-abdominais.
Porém, mesmo com as comorbidades, os medicos afirmaram que não há necessidade de transferir Bolsonaro para um hospital: “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”.
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O documento, que tem 52 páginas, foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes e diminui as chances de Bolsonaro ser transferido no curto prazo para uma prisão domiciliar, como tem solicitado a sua defesa nas últimas semanas.
Estrutura de atendimento médico na unidade prisional
A Papudinha oferece, em parceria com a Secretaria de Saúde do DF, suporte médico contínuo ao ex-presidente. Um médico e uma unidade avançada do SAMU com enfermeiro estão disponíveis, “ambos com escala de rodízio de 24 horas”. Essa estrutura visa mitigar riscos de quedas e episódios de confusão mental que podem ocorrer devido aos medicamentos.
A Polícia Federal atestou que o ex-presidente tem recebido tratamento médico adequado, incluindo dieta especial, controle da pressão arterial e exames periódicos.
O laudo ressalta ainda que, apesar do controle clínico e da disponibilidade de protocolos de pronta resposta, “é necessário otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, encaminhou o relatório para manifestações da Procuradoria-Geral da República e dos advogados de Bolsonaro, estabelecendo prazo de 5 dias para pronunciamento sobre o conteúdo do documento.
Melhores condições na Papudinha, segundo Bolsonaro
O próprio ex-presidente relatou aos médicos que houve melhora nas condições de custódia após sua transferência para a Papudinha. Ele destacou que o espaço para circulação é maior na nova unidade e classificou a limpeza do local como “satisfatória”.
A unidade disponibiliza acesso a uma área com aparelhos de musculação e para fisioterapia, local para cultos religiosos e uma pista de caminhada.
Bolsonaro informou que, diferentemente de quando estava na Superintendência da PF, não se incomoda com barulhos na Papudinha, mesmo com obras em andamento.
Rotina diária e estado emocional
De acordo com o laudo, Bolsonaro mantém uma rotina que inclui repouso de aproximadamente 20 minutos após o almoço. No final da tarde, o ex-presidente “costuma realizar caminhada de aproximadamente 1 km, sob escolta”.
O documento também traz detalhes adicionais sobre sua rotina diária. Bolsonaro disse que costuma dormir de 22h às 5h e que às 8h faz a barba e toma banho. Ele ressaltou que se dedica à leitura diária, assiste a programas esportivos e conversa com o policial de plantão responsável pela guarda externa.
Durante a avaliação, Bolsonaro expressou “maior preocupação” com sua filha menor de idade, sua enteada e sua esposa, Michelle Bolsonaro, embora tente se manter emocionalmente “equilibrado” durante o cumprimento da pena.
O ex-presidente negou necessidade de acompanhamento psiquiátrico ou psicológico, mas destacou a importância das visitas de um pastor, consideradas “relevante para a sua prática religiosa”. Os médicos registraram que Bolsonaro “não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia” e demonstrou “boa disposição para o diálogo”.
Os peritos observaram que o ex-presidente “estava lúcido e plenamente orientado no tempo e no espaço. O pensamento apresentava forma, curso e conteúdo preservados, sem indícios de delírios ou alucinações. A memória mostrou-se presente e íntegra. Atenção e concentração encontravam-se preservadas. O humor foi avaliado de eutímico a levemente ansioso”.
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O documento aponta ainda que o periciado apresenta “sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, necessitando de investigação diagnóstica”. Como medida preventiva, a PF pediu a instalação de um botão do pânico ao lado de sua cama caso ele passe mal, além de uma barra de apoio ao lado da cama e do sanitário se passar por novo quadro de tontura.
A perícia foi solicitada após a defesa de Bolsonaro requerer regime domiciliar por razões humanitárias. Segundo os especialistas, todas as medidas necessárias para o tratamento do ex-presidente são compatíveis com o ambiente onde ele se encontra atualmente.
