Lula defende maioria no Congresso e critica senadores com mandato de 8 anos

Presidente afirma que parlamentares com mandatos longos “pensam que são Deus” e podem criar problemas sem base de sustentação no Senado

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a formação de maioria no Congresso Nacional nas eleições de outubro. Em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará, nesta quarta-feira (01/04), o petista criticou a autonomia dos senadores em relação ao Executivo federal.

Ministros do governo deixam suas pastas esta semana para disputar cargos nas eleições. O prazo para desincompatibilização termina no próximo sábado (04/04), seis meses antes do pleito.

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A eleição do Senado em 2026 colocará em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa. Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerão dois parlamentares para mandato de oito anos. A renovação de dois terços do total deve alterar a composição do Senado a partir de 2027.

Rui Costa (PT), da Casa Civil, concorrerá ao Senado na Bahia. O ministro governou o estado por oito anos. Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, deve disputar uma das duas vagas pelo Paraná, onde já foi senadora.

Simone Tebet (PSB), do Planejamento, mudou do MDB para o PSB. A ministra também transferiu o domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo e pode integrar a chapa de Haddad. Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, pode mudar de partido e disputar o Senado por São Paulo.

André Fufuca (PP), do Esporte, é deputado e deve ser candidato ao Senado pelo Maranhão. Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura, foi exonerado na sexta-feira (27/03) para tirar vaga da oposição na CPMI do INSS. O ex-ministro disputará reeleição em Mato Grosso. Waldez Góes (PDT), da Integração Nacional, pode concorrer ao Senado no Amapá, onde já foi governador.

O Senado processa e julga o presidente da República por crimes de responsabilidade. A Casa também processa e julga ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade.

Cabe aos senadores aprovar indicações de novos ministros do STJ e do STF. O Senado também aprova a escolha do procurador-geral da República, do presidente e diretores do Banco Central, de embaixadores e outras autoridades.

O novo Senado poderá influenciar a renovação do Supremo Tribunal Federal. A indicação de Jorge Messias, escolhido por Lula para substituir Luís Roberto Barroso, está pendente. Três ministros vão se aposentar durante o próximo mandato presidencial.

“Eleições para o Senado são muito importantes. Um governador mantém relação civilizada com o presidente da República porque o governador também precisa do presidente. Mas um senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do senado. E isso é o que nós fazemos”, disse Lula.

O presidente ressaltou a necessidade de fazer alianças com outros partidos. “Não se faz composição apenas com quem você gosta. Quem você gosta já está com você. Você tem que fazer composição com as pessoas que pensam diferente, mas que são capazes de construir minimamente um projeto para um estado o para o país”, afirmou.

Leia mais: Moraes decreta prisão de filho de ex-prefeito do Rio por comandar esquema de vazamento de dados de ministros do STF

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