Lula critica intervenções militares ilegais na América Latina durante fórum no Panamá

Presidente brasileiro apontou paralisia da Celac e falta de convicção das lideranças regionais para enfrentar desafios durante discurso na sessão inaugural do evento econômico

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou a existência de “intervenções militares ilegais” na América Latina e Caribe e criticou a inação de organismos internacionais frente a essas situações. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (28/01) durante seu discurso na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá.

Durante sua participação no evento, o mandatário brasileiro não especificou diretamente a qual intervenção militar se referia em seu pronunciamento.

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Lula criticou especificamente a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. “A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou.

Crítica ao uso da força e “falta de convicção”

O presidente brasileiro enfatizou que abordagens militares não solucionam os problemas fundamentais da região. “A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influencias e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, completou.

Lula também apontou que “falta convicção” às lideranças regionais para enfrentar os desafios atuais. O evento reuniu representantes de diversos países latino-americanos para debater questões econômicas e políticas da região.

Reconhecimento de momentos positivos nas relações EUA-América Latina

Apesar das críticas indiretas aos Estados Unidos, o presidente brasileiro reconheceu períodos históricos em que os americanos “souberam ser parceiros” da região. Ele citou especificamente a política externa implementada durante o governo de Franklin Roosevelt.

“O presidente Franklin Roosevelt (1933–1945) implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe”, destacou.

Agenda com Trump em Washington

Em março, Lula tem encontro marcado com o presidente Donald Trump em Washington. A reunião bilateral abordará temas econômicos, comerciais e as situações da Venezuela e da Faixa de Gaza.

O presidente americano convidou Lula para integrar um Conselho da Paz que discutirá, entre outros assuntos, a situação no território palestino. Até o momento, o presidente brasileiro não confirmou sua participação neste grupo de países.

Ao finalizar seu discurso no fórum econômico, Lula reafirmou o posicionamento brasileiro no cenário internacional. Ele declarou que o Brasil escolheu “o mundo da democracia, da paz e da integração regional” e que a única guerra que deveria existir é a luta “contra a fome e a desigualdade”.

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