O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que terá um encontro presencial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião acontecerá na primeira semana de março, segundo informou o mandatário brasileiro nesta quinta-feira (5/02).
Em entrevista à jornalista Daniela Lima, colunista do UOL e da TMC, o petista destacou que a comunicação entre os líderes das duas maiores democracias do Ocidente não pode se limitar às redes sociais. A pauta do encontro incluirá temas como exportações, indústria e a exploração de minerais críticos e terras raras.
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“Somos presidentes das duas maiores democracias do Ocidente. Não pode ficar conversando por Twitter. Nós temos que sentar em uma mesa, olhar um no olho do outro, ver quais os problemas que afligem ele, quais os que me afligem, o que interessa para os EUA e o que interessa para o Brasil, e vamos trabalhar juntos”, disse o presidente brasileiro.
O líder petista afirmou que o único tema que não estará aberto para discussão será a soberania do Brasil. A data exata e os detalhes completos da agenda ainda não foram divulgados.
A iniciativa de realizar uma reunião presencial parte do entendimento que assuntos de interesse bilateral precisam ser tratados pessoalmente. O encontro marca um importante momento nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Um dos assuntos será a situação da Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro pelas forças militares dos EUA. “Eu disse ao presidente Trump que quem vai resolver o problema da Venezuela são os venezuelanos. Precisamos permitir que eles resolvam os problemas dele. Não sei se a Delcy (Rodríguez, presidente interina) vai convocar eleição. Eles têm que assumir a responsabilidade.”
“A preocupação principal é ver se tem a possibilidade de reforçar a democracia da Venezuela. O que está em jogo é saber se essa gente vai melhorar a vida do povo ou não”, afirmou o petista.
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O presidente também afirmou que pretende conversar com Trump sobre Gaza. “Já disse ao presidente Trump que, se o Conselho da Paz for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse em participar. Mas precisa ter um representante da Palestina.”
“É muito estranho que você crie um conselho e não tem um palestino no conselho”, afirmou Lula, ao refletir sobre a reconstrução de Gaza. “Quem vai reconstruir as casas, os hospitais, as padarias, que foram detonados?”
Na entrevista, o presidente valorizou a presença do Brasil na discussões externas e mencionou a realização da COP30 em Belém, no ano passado. “O Brasil é tão importante que na COP30 a União Europeia assumiu o compromisso de que até 2050 eles vão ter 50% da matriz energia renovável. Nós já temos 53%. Estamos 30 anos mais avançados do que eles”, comentou.
