Familiares e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiram publicamente, nesta terça-feira (06/01), à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido de transferência hospitalar após uma queda sofrida por Bolsonaro dentro da unidade da Polícia Federal, em Brasília, onde ele cumpre pena em regime fechado.
Em publicação nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o tratamento dado ao pai ultrapassa “todos os limites da crueldade, da justiça e da própria humanidade”. Segundo ele, “nem o criminoso mais asqueroso do mundo é tratado da maneira como estão tratando o meu pai”. Flávio classificou a situação como “tortura” e questionou até quando o ex-presidente permanecerá nessa condição.
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O vereador Carlos Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, também se manifestou, levantando questionamentos sobre os procedimentos adotados após a queda. Ele afirmou que anteriormente não havia exigência de comunicação imediata em casos de intervenção hospitalar urgente e perguntou o que teria mudado. Em tom mais duro, declarou: “Querem matar Jair Bolsonaro”.
A senadora Damares Alves (PL-DF) relatou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aguardava, havia mais de duas horas, no estacionamento do hospital, enquanto a petição apresentada pelos advogados era analisada. Segundo Damares, Bolsonaro caiu durante a noite e precisaria, ao menos, realizar exames de imagem, como raio-x ou tomografia. Ela destacou as dificuldades enfrentadas pela família e afirmou que restava “orar” para que o pedido fosse deferido.
O deputado federal Nikolas Ferreira também criticou a decisão do STF. Em sua avaliação, não haveria justificativa para negar atendimento hospitalar a um ex-presidente após uma queda. Ele afirmou que Bolsonaro estaria sendo privado de cuidados básicos e comparou o tratamento recebido ao que, segundo ele, a Justiça concede a traficantes. “Sinceramente, qual o problema de um ex-presidente receber os cuidados devidos no hospital? Só queremos o tratamento que a Justiça desse país dá para traficante! Estamos na mão de um psicopata.”
A decisão que motivou as manifestações foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que rejeitou o pedido de transferência hospitalar por não identificar situação de urgência que justificasse o deslocamento imediato. A análise teve como base informações da equipe médica da Polícia Federal, responsável pelo atendimento inicial ao ex-presidente após o incidente.
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De acordo com a decisão, a defesa tem direito de solicitar exames complementares, desde que apresente indicação médica específica e comprove a necessidade. Moraes determinou que os advogados especifiquem quais exames consideram indispensáveis e ordenou a anexação aos autos do laudo médico elaborado pela Polícia Federal.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses em regime inicial fechado, além do pagamento de 124 dias-multa, em decorrência de condenação judicial. Ele permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ocorreu a queda durante a madrugada.
