O Partido Novo anunciou que entrará com ação na Justiça Eleitoral pedindo a inelegibilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. A agremiação apresentou na noite de domingo (15/02) um enredo em homenagem ao atual presidente, gerando forte reação de parlamentares da oposição, que classificaram o espetáculo como “propaganda eleitoral antecipada realizada com recursos públicos”.
Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, informou que o partido apresentará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) quando Lula registrar sua candidatura, buscando a cassação do registro e a declaração de inelegibilidade do atual mandatário.
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A apresentação aconteceu na Marquês de Sapucaí, com a presença de Lula e da primeira-dama Janja, que acompanharam pessoalmente o desfile. Uma das alegorias que provocou indignação entre opositores representava o ex-presidente Jair Bolsonaro como palhaço usando tornozeleira eletrônica.
Deputados do Novo já haviam solicitado ao Tribunal de Contas da União (TCU) a aplicação de multa de R$ 9,65 milhões aos responsáveis pelo enredo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou o desfile como “um crime” e acusou o presidente de usar dinheiro público para autopromoção. “Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada pra ele mesmo. Sim, o dinheiro do suor do povo trabalhador brasileiro (…) está sendo torrado num desfile de carnaval”, escreveu nas redes sociais.
Flávio também comparou a situação com a condenação de seu pai pelo TSE, afirmando que Bolsonaro foi tornado inelegível “por uma reunião com embaixadores e por discursar num carro de som que não custou um centavo de dinheiro público”.
Manifestações de outros políticos da oposição
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu à alegoria que representava seu marido, declarando: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho, afirmou que houve “grave ilícito eleitoral” e “propaganda antecipada com dinheiro do pagador de impostos”. “Quando a cultura se mistura com a política, perde a cultura”, escreveu, acrescentando que a “interferência nas eleições, agora a de 2026, já começou”.
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) classificou a apresentação como “um deprimente espetáculo de abuso do poder”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sugeriu que, se situação semelhante tivesse ocorrido em 2022 favorecendo Bolsonaro, haveria “busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola” e “inelegibilidade vitalícia”.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também criticou o desfile, afirmando que eleitores conservadores foram “banalizados para o Brasil inteiro por um bloco financiado com dinheiro do governo federal”.
Posicionamento do TSE antes do desfile
Antes da apresentação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, em 12 de fevereiro, um pedido para impedir o desfile. Apesar da negativa, a ministra Cármen Lúcia expressou preocupação, afirmando haver risco “muito concreto, plausível” de eventual ilícito eleitoral.
