Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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O vírus Flávio: a ausência de Tarcísio revela sintomas mais graves que uma gripe

A presença de Flávio Bolsonaro e a ausência do governador de São Paulo revelam sintomas políticos muito mais graves do que uma simples gripe

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Foto: Reprodução/X/Flavio Bolsonaro

No último sábado (16), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), importante aliado da família Bolsonaro, não compareceu ao segundo evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado. Derrite foi o braço direito de Tarcísio na área da segurança pública, atuando como secretário de Segurança Pública do estado.

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O ponto central, porém, é outro: o evento contava com a presença confirmada – e posteriormente concretizada – do senador Flávio Bolsonaro. Segundo a assessoria do governador, Tarcísio não participou porque estava sem voz, em razão de uma gripe.

Independentemente da questão médica, os sintomas políticos dessa ausência parecem bem mais complexos. Isso porque ela acontece justamente no momento de maior desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro, após os áudios revelados pelo The Intercept na última semana. Nas gravações, o senador aparece conversando de maneira próxima e íntima com Daniel Vorcaro sobre o pagamento de centenas de milhares de reais para o filme de seu pai, “Dark Horse”.

Na prática, a gripe serviu como justificativa formal para evitar o que poderia representar um desgaste significativo para Tarcísio ao aparecer ao lado de Flávio Bolsonaro, que hoje enfrenta uma de suas maiores crises de imagem e credibilidade perante a política e parte da opinião pública.

Esse desgaste também é potencializado pelo fato de que o próprio Flávio Bolsonaro e setores da direita direcionaram forte atenção ao caso Master desde o início, tratando o episódio como símbolo de uma suposta crise de corrupção sistêmica ligada ao governo Lula. Uma narrativa que, aparentemente, encontrou eco na opinião pública, diante dos números recentes de avaliação do presidente nas pesquisas.

No último dia 8 – dias antes da divulgação dos áudios – Flávio Bolsonaro comentou o caso Master afirmando:

“As denúncias do caso Master são muito graves (…) Eu acredito que, se há qualquer suspeita, ela tem que ser investigada. Agora, o que o Brasil espera é que tudo seja apurado até o fim, sem blindagem, sem acordão, sem proteção política.”

A declaração segue correta. E é justamente por isso que o mesmo critério precisa valer agora para qualquer suspeita envolvendo o próprio senador. Afinal, coerência também deveria fazer parte do debate político.

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