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Polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro leva centro a considerar neutralidade

Legendas como MDB, PP e União Brasil avaliam liberar diretórios estaduais para apoios regionais, buscando preservar autonomia e conciliar divergências internas

MDB, PP e União Brasil avaliam liberar diretórios estaduais para apoios regionais a menos de dez meses do pleito presidencial. A estratégia surge como resposta à polarização entre o atual governo de Lula e a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os partidos iniciaram em janeiro de 2026 as discussões sobre suas estratégias eleitorais para o pleito que ocorrerá em outubro.

O presidente do MDB, Baleia Rossi, admitiu essa possibilidade em entrevista recente. “Se você me perguntar: hoje, se houver uma eleição absolutamente polarizada, eu acho que a tendência do MDB é realmente, em nível nacional, liberar”, afirmou o deputado federal ao Estadão na semana passada. Segundo apuração do Estadão, essa tendência de neutralidade vem ganhando força entre as legendas de centro, que buscam preservar sua autonomia regional diante do cenário polarizado.

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A neutralidade funcionaria como solução para conciliar divergências internas nas agremiações. No MDB, por exemplo, há tendência de alinhamento com o governo Lula nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Centro-Oeste, Sul e Sudeste existe maior resistência a uma aliança com o PT.

Posicionamento dos partidos

Na federação que será formada entre PP e União Brasil, o presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira, indicou que a posição do grupo “vai depender da campanha de Flávio”. Quando questionado se a falta de acenos do senador ao centro poderia levar à neutralidade, Nogueira respondeu afirmativamente.

O deputado federal Elmar Nascimento, do União Brasil da Bahia, segue a mesma linha: “Considero o mais provável liberar os Estados, porque fortalece a posição nos Estados e amplia a bancada (no Congresso)”.

O União Brasil enfrenta divisões internas significativas. Dados do Estadão revelam que cerca de 25 dos 59 deputados do partido ainda votam alinhados ao governo Lula, mesmo após o rompimento oficial com o Palácio do Planalto. A legenda chegou a expulsar o então ministro do Turismo, Celso Sabino, por não entregar seu cargo conforme decisão partidária.

Nove dias depois da expulsão, Sabino foi demitido pelo governo, e o partido indicou como sucessor Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB) e aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Complexidade no Republicanos

O Republicanos vive situação particular. O partido tem como presidente o deputado federal Marcos Pereira (SP), que mantém boa relação com o governo Lula. Por outro lado, seu principal quadro é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que reafirmou na quinta-feira (15) seu apoio a Flávio Bolsonaro.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), segundo no comando do Republicanos como 1º vice-presidente, declarou no início da semana que aguardará “gestos” do presidente Lula antes de definir sua posição na disputa nacional. Motta ressaltou que “qualquer definição passa por uma lógica de reciprocidade política e pela construção de um projeto que atenda aos interesses da Paraíba”.

Reação do campo bolsonarista

Aliados do senador Flávio Bolsonaro minimizam a possibilidade de neutralidade dos partidos, tratando o discurso como “normal”. Para eles, a estratégia serve para não antecipar apoios e manter margem de negociação.

Uma liderança do PP, que falou sob condição de anonimato, expressou preocupação com sinais de que Flávio pode optar pela polarização, como ao indicar que poderia nomear seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), como ministro das Relações Exteriores. Há receio de que essa estratégia se repita na escolha do vice.

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