O PSD, presidido por Gilberto Kassab, incorporou o governador Marcos Rocha, de Rondônia, ao seu quadro partidário na sexta-feira (30/01). A nova filiação, anunciada neste domingo (01/02), representa a segunda transferência de um governador do União Brasil para o PSD em menos de uma semana, elevando para seis o número de governadores da legenda entre os 27 estados brasileiros.
Marcos Rocha, ex-integrante da Polícia Militar de Rondônia e conhecido como Coronel Marcos Rocha, foi reeleito em 2022 com apoio de Jair Bolsonaro. O governador já manifestou oposição à prisão do ex-presidente, que cumpre pena superior a 27 anos após condenação por liderar tentativa de golpe para impedir a posse de Lula após as eleições presidenciais.
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A chegada de Rocha ao PSD ocorre após Kassab anunciar, na terça-feira (27/01), a filiação de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, também oriundo do União Brasil. Na mesma ocasião, o presidente do PSD revelou acordo entre Caiado, Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) para lançamento de candidatura única à Presidência da República.
Esta movimentação política cria divisão no campo da direita, isolando a candidatura da família Bolsonaro, atualmente representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar deste distanciamento estratégico, Kassab atraiu para seu partido um político com forte alinhamento ao bolsonarismo.
A expectativa é que Marcos Rocha dispute uma vaga no Senado nas próximas eleições. O PSD conta atualmente com 14 senadores, configurando a segunda maior bancada na Casa, que possui 81 integrantes. Apenas dois desses parlamentares permanecerão para a segunda metade do mandato de oito anos.
Em entrevista à Folha na semana passada, Kassab afirmou que espera ao menos manter o tamanho atual da bancada do partido no Senado. Antes da chegada de Rocha, o PSD já possuía cinco chefes estaduais, número que agora aumenta para seis.
A estratégia de Kassab representa a movimentação mais relevante no cenário eleitoral neste início de 2026. Até agora, pairava a dúvida sobre a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro ou a possibilidade de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, assumir o papel de candidato para enfrentar Lula.
A definição sobre qual dos três governadores – Ratinho Jr., Eduardo Leite ou Caiado – será o candidato do PSD à Presidência acontecerá em abril, com base em pesquisas eleitorais. Pelos dados atuais, o governador do Paraná seria o escolhido. Kassab estima que seu candidato tem potencial para alcançar aproximadamente 20% de intenções de voto, patamar semelhante ao que Flávio Bolsonaro tem registrado nas pesquisas.
Um ponto de atrito surgiu entre Kassab e Tarcísio de Freitas. Em declaração ao UOL, o presidente do PSD comentou sobre a visita que o governador paulista fez a Bolsonaro na prisão na quinta-feira (29/01), dizendo que isso demonstrava caráter, mas que não poderia transparecer submissão.
Kassab, que também é secretário no governo de Tarcísio, já declarou que o apoiaria em qualquer circunstância. Conforme planos discutidos nos bastidores, o governador paulista poderia concorrer à Presidência em 2030, abrindo caminho para que o presidente do PSD disputasse o governo de São Paulo. A capacidade de atrair governadores de diferentes espectros políticos confere a Kassab o papel de potencial kingmaker no cenário político nacional.
