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PT processa parlamentares que associaram Lula ao narcotráfico

Partido protocolou ações judiciais contra cinco deputados e senadores de direita após declarações relacionando legenda e presidente ao tráfico de drogas na América Latina

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou ações judiciais contra pelo menos cinco parlamentares de direita que associaram a legenda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico na América Latina.

As medidas foram tomadas nesta quarta-feira (7/01), após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado. O partido também questiona declarações que, segundo a sigla, promovem intervenção militar estrangeira no Brasil.

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O líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias (RJ), apresentou representação à Polícia Federal contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que divulgou em suas redes sociais uma montagem com Lula sendo preso durante uma intervenção estrangeira. Segundo Lindbergh, Nikolas “tem que ser preso por traição e atentado contra a soberania nacional”.

Na mesma representação, Lindbergh incluiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, alegando que ambos devem responder por “normalizar intervenção militar estrangeira no Brasil”.

O parlamentar petista mencionou as articulações de Eduardo para imposição de sanções contra o Brasil. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro responde a processo no Supremo Tribunal Federal por coação, conforme a Procuradoria-Geral da República.

A ação contra Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, fundamenta-se em declarações feitas em outubro, quando o senador sugeriu que os americanos atacassem “organizações terroristas” na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, após os EUA anunciarem um ataque a uma embarcação supostamente transportando drogas no Oceano Pacífico.

Em resposta às posições dos parlamentares de direita, Lindbergh afirmou: “Vocês são vira-latas, defendem isso mesmo. Querem que o Brasil seja colônia norte-americana. Querem ficar de joelhos dobrados para atrapalhar o Brasil. Vamos continuar defendendo a democracia”.

O PT decidiu processar também o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que chamou o partido de “narcoafetivo” ao comentar sobre imigrantes venezuelanos no estado.

Durante pronunciamento na segunda-feira (6/01), Ramuth declarou: “Acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente que estão na fronteira, a retornar ao seu país, onde vão poder desfrutar de liberdade. Porque vai deixar de ter aquele estado narcoafetivo, como o PT que temos aqui. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo”.

Anteriormente, o PT ingressou com ação por dano moral contra o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), que publicou vídeo associando o PT e Lula ao tráfico de drogas. Maduro enfrentará julgamento nos EUA por acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína.

Sobre Lula, Bilynskyj escreveu “Tem que ser preso” ao compartilhar uma foto do presidente brasileiro com Maduro. Na ação, o PT argumenta que o conteúdo difunde “narrativa sabidamente falsa e difamatória sem qualquer lastro fático ou jurídico”, tendo alcançado “ampla circulação e elevado engajamento”, com “gravidade adicional” por ter sido divulgado em período pré-eleitoral.

O deputado federal Reimont (PT-RJ) protocolou outro pedido de prisão contra Nikolas Ferreira. Segundo o petista, o parlamentar do PL teria sugerido a invasão do país “para o sequestro do Presidente da República”, e deve ser investigado pelo Ministério Público Federal.

A PGR também foi acionada pelo ex-presidente do PSOL Juliano Medeiros e pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) contra Nikolas pelo mesmo post. Além do pedido de prisão, Reimont solicitou a remoção do conteúdo e o bloqueio das redes sociais do deputado.

Em resposta às acusações, Nikolas reagiu nas redes sociais: “Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar”.

Após agenda na Santa Casa de Belo Horizonte, o deputado afirmou que a postagem sobre Lula foi apenas uma brincadeira, mas admitiu que aceitaria uma “intervenção externa” no Brasil para que “criminosos paguem pelos seus crimes”.

Quando questionado se desejava a captura do presidente do Brasil, Nikolas respondeu: “Não estou dizendo isso. O que eu estou dizendo é que postei um meme, e acho que pode postar meme ainda, é que criminosos paguem pelos seus crimes”. E acrescentou: “(A prisão desses criminosos) Pode ser por uma intervenção externa também. Agora direito internacional penal não existe mais”.

O deputado discordou que a ação dos EUA possa ser replicada em outros países. Ele lembrou das declarações em que Maduro “desafiou” o presidente Donald Trump e “abriu um precedente” ao pedir para capturá-lo. Ao ser questionado se Lula poderia fazer o mesmo, Nikolas ironizou: “Vem cá me pegar, seu covarde”. “Vai que”, concluiu o parlamentar.

Leia mais: Lula sanciona lei que proíbe descontos automáticos em benefícios do INSS

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