José Renato Rabelo, que comandou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) por 14 anos, entre 2001 e 2015, morreu neste domingo (15/02) em decorrência de um câncer. O político baiano tinha 83 anos e dedicou mais de seis décadas à militância comunista no país. A informação foi confirmada pelo PCdoB.
O ex-dirigente faleceu após o agravamento de seu quadro de saúde. Segundo o partido, ele lutava contra o câncer havia três anos. Durante sua trajetória política, Rabelo atravessou períodos cruciais da história brasileira, desde a resistência à ditadura militar até a participação em articulações políticas no século XXI.
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Nascido em 22 de fevereiro de 1942, em Ubaíra, no sudoeste da Bahia, Rabelo iniciou sua militância ainda na adolescência, durante a sucessão presidencial de 1955, que elegeu Juscelino Kubitschek presidente e João Goulart vice.
Aos 13 anos, já ocupava o cargo de secretário-geral do grêmio estudantil da Escola Nossa Senhora das Mercês, em Santo Antônio de Jesus, após aproximar-se da Juventude Estudantil Católica.
Sua atuação no movimento estudantil universitário ganhou força quando ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Em 1966, chegou à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE), em pleno endurecimento do regime militar.
Rabelo integrou a Ação Popular (AP) e participou da criação da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), posteriormente incorporada ao PCdoB em 1973, em articulação com dirigentes como João Amazonas.
Durante a ditadura militar, o político baiano viveu exilado em Paris, retornando ao Brasil após a anistia de 1979. Assumiu a presidência do PCdoB no 10º Congresso, em 2001, sucedendo João Amazonas, e permaneceu no cargo até 2015.
Em sua gestão à frente do partido, o PCdoB alcançou sua maior bancada na Câmara dos Deputados em 2010. Em 2014, a legenda elegeu Flávio Dino como governador do Maranhão, além de diversos parlamentares e senadores.
O ex-presidente do PCdoB contribuiu significativamente para a formulação política do partido, incluindo o Programa Socialista para o Brasil e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND), aprovado no 12º Congresso, em 2009.
Em 2025, Rabelo lançou sua biografia intitulada “Vida, ideias e rumos”, com 848 páginas escritas por Osvaldo Bertolino, contando com apresentações do presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se sobre a morte de Rabelo, afirmando que a democracia brasileira “perdeu hoje um de seus maiores nomes”. Lula recordou a convivência com Rabelo desde as greves do ABC, passando pela campanha das Diretas Já e pelas campanhas presidenciais.
“A visão estratégica de Renato Rabelo e sua capacidade de reunir as forças políticas em prol da soberania e justiça social seguirão, sempre, ajudando a guiar o caminho daqueles que querem construir um Brasil melhor para todas e todos”, escreveu o presidente.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, também expressou seu pesar: “Rabelo é daqueles companheiros que fazem falta na política, em razão da capacidade de diálogo, de construção e de formulação. Neste momento de dor, deixo meu abraço fraternal à esposa, Conceição Leiro Vilan, aos filhos André e Nina, além de familiares, amigos e toda militância do Partido Comunista do Brasil”.
