Quem é o senador Alexandre Giordano, flagrado dirigindo com CNH vencida e carro sem placas em SP

Parlamentar do Podemos-SP foi abordado pela PM em blitz de trânsito e tentou deixar local da fiscalização após constatação de uso irregular de giroflex no veículo

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Alexandre Luiz Giordano (Podemos-SP) foi abordado pela Polícia Militar de São Paulo em uma blitz de trânsito. O senador dirigia um veículo sem placas, com a Carteira Nacional de Habilitação vencida e utilizando giroflex irregular. Durante a fiscalização, o parlamentar tentou deixar o local da abordagem policial.

Giordano ocupa a cadeira no Senado Federal desde 31 de março de 2021. Ele assumiu como suplente após a morte do titular Major Olímpio (PSL), que faleceu em 18 de março de 2021, aos 58 anos, vítima de complicações da Covid-19.

Irregularidades identificadas pela polícia

A Polícia Militar constatou três irregularidades simultâneas no automóvel conduzido pelo senador: ausência de placas, habilitação com validade vencida e uso de giroflex não autorizado. A tentativa de se retirar do local da fiscalização gerou repercussão pública sobre o episódio.

Trajetória política

O empresário nascido em 1973 tomou posse como senador em 31 de março de 2021. A candidatura como suplente em 2018 foi a primeira experiência de Giordano na política como representante eleito. A chapa formada por Major Olímpio e Giordano obteve pouco mais de 9 milhões de votos nas eleições de 2018. A votação expressiva foi beneficiada pela ascensão e eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro naquele pleito.

O incidente trouxe visibilidade a um parlamentar que permanecia com baixa exposição pública. Giordano passou quase cinco anos no Senado Federal sendo pouco conhecido entre os eleitores paulistas.

Alexandre Giordano é casado e tem dois filhos. Um deles servia ao Exército em São Paulo. Antes de ingressar na política como representante eleito, atuava como empresário, com negócios concentrados principalmente nos setores de metais e mineração. Ao longo da carreira política, passou por diferentes legendas: PV, PSDB, PSL, MDB e, mais recentemente, o Podemos.

Polêmica envolvendo Itaipu

Antes de tomar posse no Senado Federal, Giordano ganhou visibilidade em uma polêmica envolvendo negociações sobre energia da usina de Itaipu entre Brasil e Paraguai, em 2019. O episódio teve repercussão internacional e ficou conhecido como uma crise diplomática entre os dois países.

Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, a questão envolvia a comercialização da energia excedente da usina de Itaipu. A energia pertence ao Paraguai, mas é historicamente vendida ao Brasil sob regras do tratado bilateral. Naquele momento, havia negociações para mudar termos do acordo bilateral. A mudança poderia abrir espaço para intermediação privada na venda da energia excedente da usina, em um negócio bilionário do setor de energia elétrica.

Giordano participou de reuniões no Paraguai com autoridades e empresários sobre a venda dessa energia. Ele viajou ao país vizinho ao menos três vezes com representantes da empresa brasileira Léros, interessada no negócio. De acordo com investigações e relatos, a empresa Léros tentou fechar um acordo para comprar energia paraguaia de Itaipu. Pelas regras vigentes na época, esse tipo de negociação não poderia ser feito dessa forma.

Segundo denúncias publicadas pelo Estadão, Giordano esteve no Palácio do Planalto após o então presidente Jair Bolsonaro ter ido à Foz do Iguaçu para dar posse ao general Joaquim Silva e Luna na hidrelétrica de Itaipu. A empresa do senador ficava no mesmo prédio do PSL, partido ao qual ele era filiado e pelo qual foi eleito, em São Paulo.

No curso da investigação, autoridades paraguaias apontaram Giordano como alguém que teria se apresentado como representante ou com influência do governo brasileiro naquele ano, comandado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente da Administração Nacional de Energia (Ande, a estatal energética do Paraguai), o advogado José “Joselo” Rodríguez, citou o suplente de Olímpio como um “representante da família presidencial brasileira” no negócio, segundo publicou a imprensa paraguaia.

Um acordo entre Brasil e Paraguai foi assinado e posteriormente cancelado. O cancelamento ocorreu porque houve suspeitas de favorecimento à empresa brasileira Léros, que é investigada no caso. O episódio quase levou a um processo de impeachment do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. O caso gerou um escândalo internacional e está sob investigação do Ministério Público paraguaio.

Por causa do escândalo, quatro membros do alto escalão do governo paraguaio renunciaram aos cargos. Entre eles estavam o embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier, e o ministro de Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni. Também pediram demissão o presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), Alcides Jiménez, que estava há poucos dias no cargo, e o titular paraguaio da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, José Roberto Alderete. Uma onda de protestos contra o presidente Mario Benítez foi desencadeada na ocasião.

Giordano admitiu ter participado de reuniões no Paraguai. Ele negou ter falado em nome do governo brasileiro ou ter vínculo formal com a negociação. O então suplente de senador também negou ao Estadão ser representante formal da Léros.

“Não tenho nenhuma relação com esse acordo. A Léros me chamou e eu fui lá escutar a proposta da Ande sobre venda de energia. Existe uma licitação aberta, que é pública. Eu não comprei nada. A própria Léros não assinou nada”, declarou.

O político e empresário negou ter concluído o negócio. Ele afirmou que apenas fez algumas parcerias com a empresa brasileira.

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