O senador Sergio Moro deve deixar o União Brasil nos próximos dias para se filiar ao PL. Fontes consultadas exclusivamente pela TMC destacam que a movimentação está ligada à tentativa de construção de um palanque local para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
O movimento, que vinha sendo costurado nos bastidores, ganhou força após uma mudança de cenário nas articulações nacionais. A ideia inicial de Flávio Bolsonaro era ter o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), como vice em uma eventual chapa ao Palácio do Planalto. No entanto, na última semana, Ratinho se reuniu com emissários do senador, entre eles o senador Rogério Marinho (PR-RN), e descartou a possibilidade.
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De forma taxativa, o governador afirmou que não pretende ser vice “nem de um lado, nem de outro” e reforçou que sua pré-candidatura à Presidência é para valer. Ratinho também sinalizou que pretende seguir trabalhando para que o PSD tenha candidatura própria em 2026.
Segundo fontes dos bastidores da política paranaense, a posição não foi bem recebida por Flávio Bolsonaro. A reação foi imediata: o senador teria rompido o entendimento político que vinha sendo construído entre PL e PSD no estado.
Desde 2024, as duas siglas vinham atuando em conjunto no Paraná, com alianças em cidades estratégicas como Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu, além de atuação conjunta em disputas em outras grandes cidades. O plano era que essa parceria se estendesse até 2026.
Nesse desenho, Ratinho Júnior deixaria o governo para disputar a Presidência, apoiaria um sucessor do PSD no estado e teria como aliado ao Senado um nome do PL, o deputado federal Filipe Barros. Com o rompimento, esse arranjo perde força.
A nova movimentação, com a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Sérgio Moro, embaralha o cenário político no Paraná e coloca nomes importantes em situação indefinida. Filipe Barros, por exemplo, passa a não ter garantias sobre sua candidatura ao Senado. Já a jornalista Cristina Graeml, que se filiou ao União Brasil para disputar uma vaga ao lado de Moro, também vê o cenário mudar.
A saída de Moro do União Brasil também tem relação com divergências internas na federação com o Progressistas. Lideranças do PP no Paraná não apoiam o nome do senador. O deputado federal Ricardo Barros, uma das principais figuras do partido no estado, já declarou preferência por uma aliança com Ratinho Júnior ou, alternativamente, pela candidatura do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), ao governo.
Com a possível ida de Moro ao PL e o apoio de Flávio Bolsonaro, o cenário para 2026 entra em uma nova fase de incertezas. O movimento também impacta diretamente o governador Ratinho Júnior, que pode perder da sua base um dos partidos mais estruturados, com forte presença de tempo de televisão e recursos.
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*Brayan Valêncio, de Curitiba




