André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do inquérito que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (18/03), atendendo solicitação da Polícia Federal apresentada na terça-feira.
A investigação apura esquemas de fabricação de carteiras de crédito falsas e desvio de recursos envolvendo o presidente da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
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A corporação policial argumentou necessitar de tempo adicional para examinar e realizar perícias em material apreendido. Foram coletados documentos, computadores e telefones celulares nas três fases da Operação Compliance Zero.
Os investigadores afirmaram existir volume expressivo de material aguardando análise. Mais de 100 aparelhos celulares foram apreendidos ao longo das três etapas da operação. Oito desses dispositivos pertencem a Vorcaro.
Mendonça registrou na decisão que a Polícia Federal justificou a necessidade da medida para a “realização de diligências reputadas imprescindíveis” visando o esclarecimento dos fatos sob apuração.
“Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais sessenta dias“, afirmou o ministro.
A complexidade do caso e o volume de material coletado durante as operações motivaram o pedido de extensão do prazo investigativo.
Operação Compliance Zero teve três fases
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. Foram cumpridos mandados contra a direção do Banco Master, incluindo Vorcaro. A Justiça determinou o afastamento de Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB). A instituição pública teria transferido bilhões para o Master em operações fraudulentas.
Uma segunda fase da operação foi executada em janeiro de 2026. O foco concentrou-se no rastreamento dos recursos e na recuperação de ativos. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a Vorcaro e seus familiares. Carros de luxo e dinheiro em espécie estavam entre os itens apreendidos.
A fase mais recente ocorreu em março de 2026. Foi revelada uma estrutura de coerção e infiltração em órgãos reguladores.
Leia mais: CPI do Crime Organizado convoca Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro
Investigação identificou milícia privada e servidores do Banco Central
A Polícia Federal identificou um grupo denominado “A Turma”. Seria uma milícia privada utilizada para monitorar e intimidar adversários e jornalistas que investigavam o banco.
Servidores do Banco Central foram alvos da operação. Eles supostamente atuavam como “consultores privados” de Vorcaro. Antecipavam informações e facilitavam processos regulatórios em troca de propina.
As apurações indicam que o esquema gerou prejuízos que podem ultrapassar R$ 12 bilhões. Após a prisão de Vorcaro na fase mais recente, o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.
O grupo investigado responderá por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça. A Polícia Federal dará continuidade às análises e perícias do material apreendido durante as operações.




