STF tenta intimar Frias por emendas a ONG de filme pró-Bolsonaro

Ministro Flávio Dino determinou intimação em março, mas assessoria do deputado federal não foi localizada desde então

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(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) não consegue localizar o deputado federal Mario Frias (PL-SP) desde março. O ministro Flávio Dino determinou a intimação do parlamentar para explicar repasses de emendas parlamentares a uma ONG ligada ao filme Dark Horse, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

A tentativa de contato começou em 21 de março, quando Dino ordenou a intimação de três deputados federais. Frias é produtor-executivo do filme e teria destinado recursos públicos ao Instituto Conhecer Brasil, organização investigada por suposto desvio de verbas.

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Denúncia partiu de Tábata Amaral

A deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou a denúncia ao STF. Segundo ela, parlamentares repassaram R$ 2,6 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil. A organização faz parte de um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”, conforme descrito na ação.

Além do Instituto Conhecer Brasil, outras três ONGs estão sob investigação: Academia Nacional de Cultura, Go Up Entertainment e Conhecer Brasil Assessoria. Todas teriam vínculos com a produção do filme.

Na prática, isso pode mudar: Se confirmado o desvio, os parlamentares podem responder por improbidade administrativa. Emendas parlamentares são recursos públicos destinados a projetos de interesse social — não podem financiar produções privadas.

Áudio revela cobrança de Flávio Bolsonaro

Um áudio divulgado mostra o senador Flávio Bolsonaro cobrando Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme. A gravação reforça suspeitas de que o projeto buscava financiamento privado enquanto recebia recursos públicos via emendas.

Reportagens indicam que o banqueiro teria destinado aproximadamente R$ 61 milhões para financiar uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência e filho do ex-presidente retratado no filme.

Produtora cultural no centro da investigação

A produtora Karina Ferreira da Gama é apontada como figura central no esquema. Ela teria comando sobre as quatro ONGs investigadas e ligação direta com a produção de Dark Horse.

Além de Frias, os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) também foram intimados por Dino. Os parlamentares Alexandre Ramagem e Carla Zambelli aparecem citados na investigação como possíveis repassadores de recursos.

A Academia Nacional de Cultura, uma das ONGs investigadas, recebeu emendas de múltiplos parlamentares do Partido Liberal (PL).

Emendas parlamentares são recursos do Orçamento da União que deputados e senadores direcionam para projetos em suas bases eleitorais. O uso dessas verbas para financiar produções culturais privadas — especialmente com viés político — levanta questões sobre transparência e desvio de finalidade.

O STF investiga se houve uso indevido de dinheiro público para promover a imagem de Bolsonaro e aliados. Se comprovado, o caso pode resultar em devolução de valores, perda de mandato e inelegibilidade dos envolvidos.

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