Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), governador de São Paulo, deu uma entrevista exclusiva nesta quinta-feira (26/02) ao TMC 360. Durante a entrevista ele falou sobre o combate do crime organizado, eleições 2026, habitação, mobilidade, transporte público, educação e saneamento básico.
Ao comentar sobre a influência de Gilberto Kassab (PSD) na escolha de um nome para compor a chapa que tentará a reeleição este ano, Tarcísio afirmou que não há uma imposição.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
“Essa pressão está publicada nas páginas dos jornais, na relação pessoal não tem pressão alguma. Sempre que sentei com ele foi para discutir qualquer coisa foi para discutir projeto, futuro e o estado de São Paulo. Nunca houve da parte dele nenhuma espécie de pressão. Sempre deu uma tranquilidade muito grande ‘estou no seu projeto independente da sua escolha’ e isso é muito forte”, afirmou.
Segurança pública
“O PL Antifacção abre uma grande oportunidade, pois estamos falando de endurecimento de pena e de mais instrumentos para combater o crime organizado, que foi se instrumentalizando ao longo do tempo. A gente vai poder ter penas mais duras, suprimir benefícios para membros de facção e facilitar a expropriação de bens acumulados. O PL Antifacção inaugura uma nova etapa e o julgamento dos culpados que se envolveram no assassinato de Marielle é também um sinal que crimes não passarão impunes e isso é importante. O sentimento de justiça é importante”, disse sobre o projeto que foi aprovado na Câmara dos Deputados.
“As inteligências da polícias civil e militar, que se especializaram no combate a principal facção criminosa do Brasil, têm trabalhado com o Ministério Público e feito operações importantes que tem por objetivo a asfixia financeira dessas organizações criminosas”, explicou Tarcísio sobre a colaboração entre as forças de segurança. “É fundamental que a gente pode contar com o Coaf e a Receita Federal para que a gente possa ter êxito nessas operações”, afirmou.
Leia mais: Tarcísio minimiza investigação contra vice e cita “plantação de notícia” sobre Andorra
Eleições 2026
Ao ser questionado sobre as eleições deste ano, o governador explicou qual será o foco caso seja reeleito. “A questão do vice ainda está longe das convenções, a gente ainda tem tempo para isso. A preocupação nossa tem que ser governar e entregar resultados. Quanto mais afastar a discussão eleitoral, melhor é. Quanto menos perturbação tiver na gestão, melhor. A escolha do vice é muito pessoal porque tem que ser uma pessoa de confiança, mas vai ser decidida mais para frente”.
Sobre a representação no Ministério Público de São Paulo para que o órgão apure as suspeitas de ilicitudes administrativas, civis e de improbidade administrativa praticados pelo vice-governador Felício Ramuth (PSD), Tarcísio disse estar tranquilo. “Me parece que ele tem explicação para tudo o que foi colocado. Ele se mostra muito tranquilo e isso pesa muito. Por tudo o que vi não é algo que não vai ficar sem esclarecimento”.
“A gente pensa São Paulo longo prazo. A gente se preocupa na construção de um legado. Projetos de macrodrenagem das grandes cidades precisam ser tocados. A solução vai demandar muito recurso e ação do Estado. Não são intervenções para um mandato ou dois”, explicou.
Tarcísio ainda comentou sobre habitação, mobilidade, transporte público, educação e saneamento básico. “Ainda há um longo percurso. A gente quer colocar o Estado nas primeiras posições e, a partir do momento que a gente faz o básico bem feito, a gente começa a pensar a agregar mais complexidade. A ideia é construir esse legado”.
Aumento da letalidade das forças de segurança
O governador afirmou que o objetivo da polícia no estado não é o confronto. O número de mortes causadas por policiais no estado de São Paulo passou de 800 em 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
“A gente não quer de maneira nenhum o confronto nem o crescimento de letalidade. Por outro lado, a gente quer o combate vigoroso ao crime. A produção da polícia aumentou muito e temos atuado em áreas em que durante um tempo não se atuavam. Entendemos que a câmera corporal é um ganho. Ela protege não só o cidadão, mas o próprio policial e esse entendimento está consolidado”, disse.
Tarcísio ainda destacou a redução nos indicadores dos índices de criminalidade. “Continuamos tendo problemas de segurança e vamos trabalhar muito para que o cidadão possa se sentir seguro. É uma combinação de ações. Há um combate muito mais intenso à criminalidade, houve uma redução muito forte e a gente está exigindo e cobrando das nossas policias a aderência aos procedimentos”.
Educação
Ao comentar sobre o desempenho dos estudantes da rede estadual de ensino no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), o governador falou do investimento que vem sendo feito na área, principalmente na educação básica.
“Pela primeira vez São Paulo foi agraciado com o selo ouro do Ministério da Educação. A gente tá trabalhando de mãos dadas com os municípios e o trabalho conjunto envolve o compartilhamento de um material desenvolvido pelo Estado. A gente tem feito também o treinamento dos professores municipais e dá uma bonificação aos municípios que têm melhor performance na alfabetização”, disse.
Em relação aos alunos que enfrentam defasagem no aprendizado, ele destacou que precisa trabalhar a questão da escola em tempo integral, a formação continuada dos professores e a recuperação do aprendizado, com professores adicionais. “O crescimento do ensino profissional no Estado tem também proporcionado um crescimento da nossa performance”.
Tarcísio ainda destacou que o sistema educacional está muito organizado e integrado para que possa continuar crescendo gradualmente.
Novo centro administrativo do governo
Tarcísio disse também sobre a construção do Novo Centro Administrativo do estado no Centro da capital paulista. “O que a gente pode esperar é que daqui uns anos vamos ter um Centro de São Paulo absolutamente diferente. Vamos devolver o Centro para as pessoas e a gente vai ver uma revolução urbana”
O governador ainda citou a extinção da Cracolândia na região. “Continua tendo dependente químico na rua, óbvio, mas a cena daquela situação já não existe mais”.
