Presidente em exercício, Geraldo Alckmin afirmou neste domingo (22/02) que a tarifa global de 15% imposta pelos Estados Unidos favorece o mercado brasileiro.
O governo americano estabeleceu a alíquota uniforme para importações, valor que havia sido anunciado inicialmente em 10% na sexta-feira (20/02) pelo presidente Donald Trump.
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Alckmin, em Aparecida (SP), durante lançamento da Campanha da Fraternidade no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, destacou que a uniformização tarifária cria condições mais favoráveis para as exportações nacionais ao mercado americano.
O vice-presidente explicou que produtos brasileiros enfrentavam alíquota de 50%, enquanto diversos países concorrentes pagavam 10% ou 15%.
A medida traz benefícios ao Brasil em dois aspectos principais, segundo o vice-presidente. A uniformização da alíquota em 15% para todos os países melhora a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano. Produtos brasileiros eram taxados em 50%, enquanto concorrentes pagavam tarifas menores.
“Foi positiva, porque estabeleceu que a alíquota deve ser igual para todos. Inicialmente era 10%, na última ordem executiva foi para 15%”, afirmou o presidente em exercício – Luiz Inácio Lula da Silva está em viagem pela Ásia.
O segundo motivo relaciona-se à reciprocidade comercial. A tarifa média de entrada de produtos americanos no Brasil é de 2,7%. Os Estados Unidos mantêm déficit comercial com praticamente todo o mundo.
“É positivo para o Brasil por duas razões. Primeiro, que nós tínhamos uma alíquota mais alta em relação aos demais competidores. Muitos países tinham 10%, 15% e nós 50%. Então, isso ajudou muito a competitividade dos produtos brasileiros para a gente poder exportar mais para os Estados Unidos, conquistando mercado, gerando emprego, renda no Brasil. E é justa, porque a tarifa média de entrada dos produtos americanos no Brasil é 2,7%. E os Estados Unidos tem déficit com o mundo inteiro, praticamente”, declarou.
Importância do mercado americano
Os Estados Unidos ocupam a terceira posição entre os compradores de produtos brasileiros. A China é o primeiro destino das exportações nacionais. A União Europeia aparece em segundo lugar.
O mercado americano se destaca pela compra de produtos de valor agregado. Manufaturas, motores e máquinas estão entre os principais itens exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.
“Ele ressaltou que os Estados Unidos, embora não sejam o maior comprador do Brasil — o primeiro é China, o segundo é a União Europeia, ele é o terceiro—, é quem compra valor agregado, produto industrial, manufatura, motores, máquinas“, disse Alckmin, que acumula a função de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “Então, tudo isso é beneficiado.”
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Preocupação com investigações comerciais
Alckmin manifestou preocupação com o anúncio de Trump sobre a manutenção de investigações comerciais contra o Brasil. O procedimento é similar ao aplicado à China. As investigações são conduzidas sob a Seção 301 da legislação comercial americana.
Os Estados Unidos citaram o PIX entre os fatores que levaram à investigação. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos foi mencionado pelo governo americano.
“Então, isso preocupa. É a chamada Seção 301, mas ela vai ser esclarecida. O problema do PIX (citado pelos EUA como um dos fatores que levaram à investigação), olha, o PIX é um exemplo para o mundo de você ter uma medida que é altamente benéfica à população, sem custo, com garantia, com segurança. Outras questões abordadas vão ser esclarecidas. Isso já aconteceu no passado e o Brasil esclareceu”, afirmou Alckmin.
Campanha da Fraternidade
Durante o evento em Aparecida, cujo tema foi “Fraternidade e Moradia”, Alckmin foi questionado sobre eventual candidatura a outros cargos nas próximas eleições. A pergunta abordou possível disputa para governador ou senador por São Paulo. O posto de vice-presidente é cobiçado por outros partidos.
O vice-presidente não respondeu diretamente à pergunta. “Existem dois tipos de ansiosos, os jornalistas e os políticos“, disse Alckmin, encerrando a entrevista coletiva.
