A ministra do Planejamento, Simone Tebet, teve sua filiação ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) confirmada neste sábado (21/03), em São Paulo. A mudança marca a saída da ministra do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), legenda na qual permaneceu por quase 30 anos.
A troca partidária ocorre no momento em que Tebet se prepara para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo nas próximas eleições. O anúncio da candidatura já havia sido feito no dia 12/03, durante evento em Campo Grande (MS).
Com a filiação, a ministra passa a integrar o mesmo partido do vice-presidente, Geraldo Alckmin, ampliando sua articulação política no estado. Em nota, o PSB afirmou que recebe Tebet com “entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica”, destacando sua trajetória e capacidade de diálogo.
Saída do MDB e articulação política
Filiada ao MDB desde 1997, Tebet construiu toda sua carreira política na legenda, pela qual foi senadora e candidata à Presidência da República em 2022. A mudança também ocorre em meio a diferenças políticas dentro do MDB paulista, atualmente sob controle de lideranças de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a ministra, a decisão foi tomada após conversas com Lula e com Alckmin. Ela relatou que recebeu incentivos para disputar o Senado e avaliou que poderia cumprir um papel relevante no cenário nacional. “Política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral”, afirmou.
Disputa ao Senado e saída do ministério
Tebet indicou que deve deixar o comando do Ministério do Planejamento até o fim de março, embora ainda não haja data oficial para a saída.
A ministra também destacou sua relação com São Paulo, estado onde afirma ter recebido sua maior votação na eleição presidencial de 2022.
Nos bastidores, a expectativa é que ela integre a chapa liderada por Fernando Haddad ao governo paulista. A composição ainda pode incluir outros nomes, como a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, cotada para uma das vagas ao Senado. Outra opção é Geraldo Alckmin. Lula sugeriu ao seu vice conversar com Haddad sobre concorrer a uma vaga no Congresso.
Trajetória política
Nascida em Três Lagoas (MS), Simone Tebet é advogada, professora e filha do ex-senador Ramez Tebet. Ao longo da carreira, foi deputada estadual, prefeita — sendo a primeira mulher eleita em sua cidade —, vice-governadora e senadora.
No Senado, ganhou projeção nacional ao participar de momentos-chave, como o processo de impeachment de Dilma Rousseff e a CPI da Covid. Em 2019, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Em 2022, disputou a Presidência da República e terminou em terceiro lugar, com cerca de 4,9 milhões de votos. Posteriormente, declarou apoio a Lula no segundo turno e foi convidada para integrar o governo como ministra do Planejamento.




