O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou, nesta quarta-feira (11/03) em entrevista à TMC, que o governo brasileiro e o Congresso Nacional mantêm uma posição de forte resistência à possível categorização das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas pelo governo de Donald Trump.
Zarattini explicou que o debate técnico ocorrido durante a tramitação do projeto de lei antifacção na Câmara dos Deputados consolidou o entendimento de que facções criminosas brasileiras não se enquadram no conceito jurídico de terrorismo.
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“O terrorismo tem dois viéses: o viés político e o viés religioso ou racial. No caso das facções, o que temos são bandos armados organizados com alta capacidade financeira e de mobilização, não são grupos terroristas”, pontuou o deputado.
Segundo o parlamentar, a classificação, que vem sendo estudada por assessores sêniores da Casa Branca, foi estimulada pela oposição: “o que a gente está vendo, mais uma vez, é a extrema-direita bolsonarista querer provocar os Estados Unidos a interferir nos assuntos internos do Brasil”
Para o congressista, o combate a esses grupos deve ser feito através do fortalecimento das forças policiais nacionais e da aplicação da PEC da Segurança Pública (que aguarda votação no Senado), e não por meio de nomenclaturas que permitam ações militares ou sanções unilaterais dos Estados Unidos em solo brasileiro.
Soberania Nacional e Articulação Policial
Apesar da resistência à classificação de terrorismo, Zarattini ressaltou que o Brasil está aberto à cooperação internacional. Ele mencionou que o presidente Lula já sinalizou ao governo norte-americano a importância da colaboração para a captura de criminosos brasileiros no exterior.
“Nós temos condições de fazer interlocução com órgãos internacionais, inclusive com a polícia norte-americana. Não existe preconceito nenhum do governo brasileiro e do Brasil de fazer uma ação conjunta. Aliás, o presidente Lula já pediu efetivamente pro Donald Trump resolver o problema de um criminoso que está lá em Miami”.
Zarattini afirmou que existe uma consonância entre o Executivo e Legislativo e reforçou que os assuntos internos devem ser resolvidos pelo governo brasileiro: “Vamos reafirmar a soberania brasileira. Quem comanda aqui é o povo brasileiro através de seus representantes eleitos”, defendeu o parlamentar.
Desgaste do Governo e o “Escândalo Master”
Questionado pela TMC sobre pesquisas que apontam um desgaste na imagem do governo federal devido a escândalos recentes, como o do Banco Master, Zarattini atribuiu a percepção negativa a uma “mistura” de narrativas na cabeça do eleitor.
“Quem está principalmente sofrendo desgaste nesse episódio é o Supremo Tribunal Federal. E logicamente o STF e o governo muitas vezes se misturam na cabeça do eleitor e isso acaba refletindo nessa avaliação. Não existe envolvimento de absolutamente ninguém do governo, nem do PT nesse escândalo”, afirmou o deputado.
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O parlamentar admitiu, no entanto, que o governo precisa de “meios de comunicação mais eficazes” para separar as investigações atuais de ataques políticos que tentam ligar familiares do presidente a supostas irregularidades no INSS.




