Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) ), anunciaram o fim da greve estudantil que durou 54 dias. Eles reivindicavam melhores condições de alimentação, moradia e aumento das bolsas estudantis.
O encerramento foi anunciado na noite da segunda-feira (09/06), após assembleia geral que teve 323 votos pelo fim da paralisação contra 255 pela manutenção do movimento.
O encerramento, porém, não é automático: a direção de de curso precisa decretar o fim da greve individualmente. As faculdades de Direito e Medicina, da Escola Politécnica e dos campi do interior paulista já decidiram retomar as atividades.
Invasão e ação policial
Ao mesmo tempo em que os alunos votavam, um grupo pequeno de grevistas ocupou o prédio da Administração Central do campus. A ação durou cerca de uma hora.
A Polícia Militar foi acionada e retirou os manifestantes do local. Ao todo, seis pessoas, com idades entre 18 e 22 anos, foram conduzidas ao 7º Distrito Policial (Lapa). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, todos foram ouvidos e liberados em seguida.
Três seguranças ficaram feridos durante a ocupação e receberam atendimento no Hospital Universitário da Cidade Universitária.
O DCE da USP informou que não ter relação com a invasão. Em manifesto publicado nas redes, o grupo de alunos que invadiu o prédio se declarou independente e se colocou contra o fim da greve.
A perícia foi acionada e constatou danos em mobiliários e equipamentos da universidade. Conforme a Secretaria de Segurança Pública, objetos como como fogos de artifício, rádios comunicadores, megafone foram apreendidos.
Balanço da greve
A greve de 54 dias mobilizou alunos das 43 universidade e entrou para a história como uma das maiores mobilizações estudantis da USP na última década.
A principal demanda dos estudantes era o aumento do valor do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), que era de R$ 885, destinado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A reitoria ofereceu um reajuste do auxílio para R$ 912 e anunciou medidas voltadas a melhorias no Crusp (Conjunto Residencial da USP).
Contexto e próximos passos
Na semana anterior, a Associação de Docentes da USP já havia anunciado o fim da paralisação dos professores, separando as duas frentes do movimento.
Para quarta-feira (10), está prevista uma manifestação conjunta com alunos e professores da USP, Unesp e Unicamp na Praça da República.




