O câncer de testículo, embora considerado raro, tem acendido um alerta entre especialistas no Brasil. Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia, com base em dados do Ministério da Saúde, aponta que cerca de 4,1 mil brasileiros morreram em decorrência da doença nos últimos dez anos.
Apesar de ser responsável por cerca de 5% dos cânceres urológicos, o impacto é significativo por atingir principalmente homens jovens. Segundo a entidade, mais de 60% das mortes ocorreram na faixa etária entre 20 e 39 anos, período de maior incidência da doença.
O câncer de testículo é o tipo mais comum entre homens jovens, especialmente entre 15 e 35 anos. Ainda assim, quando diagnosticado precocemente, apresenta altas taxas de cura.
Sintomas muitas vezes ignorados
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, os principais sinais de alerta incluem caroço ou aumento de volume em um dos testículos, alteração na consistência, sensação de peso na bolsa escrotal e dor na região abdominal ou na virilha. Esses sinais podem parecer leves, mas são indicativos importantes da doença.
Por serem sintomas muitas vezes indolores, muitos homens demoram a procurar ajuda médica, o que contribui diretamente para o diagnóstico tardio.
Em entrevista à TMC, o urologista Alex Meller explica que o principal sinal do câncer de testículo é o aumento rápido do volume do órgão. “Normalmente, o paciente percebe um nódulo ou alguma alteração na forma do testículo, e esse crescimento costuma ser acelerado, podendo dobrar de tamanho em menos de 30 dias”, afirma.
Segundo o especialista, a doença geralmente não apresenta dor ou sinais inflamatórios, o que pode dificultar a identificação precoce. “Não dói, não fica vermelho e não há sinais evidentes de inflamação”, destaca.
Apesar disso, ele ressalta que as chances de cura são altas quando o diagnóstico é feito no início. “Quando detectado precocemente, conseguimos taxas de cura entre 90% e 95% dos casos. É um dos cânceres urológicos com melhor prognóstico”, explica.
O médico também chama atenção para o perfil dos pacientes mais afetados, geralmente homens jovens entre 25 e 35 anos, e aponta desafios no sistema de saúde que podem atrasar o diagnóstico. A dificuldade de acesso ao especialista pode retardar o início do tratamento, agravando os casos.
Tratamento e importância do diagnóstico precoce
O tratamento varia conforme o estágio da doença, mas geralmente começa com a cirurgia de retirada do testículo afetado. Dependendo do caso, pode ser complementado com quimioterapia ou radioterapia. A escolha do tratamento depende diretamente do estágio em que a doença é identificada.
Descoberto no início, o câncer de testículo tem altas taxas de cura e reforça a importância da informação.
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