A existência de animais capazes de viver por centenas de anos continua intrigando cientistas ao redor do mundo. Essas espécies apresentam características únicas que desafiam o entendimento tradicional sobre envelhecimento, levantando novas hipóteses sobre os limites da vida na Terra.
Entre os exemplos mais impressionantes está o tubarão-da-Groenlândia, considerado o vertebrado mais longevo já identificado. Estimativas indicam que ele pode ultrapassar os 400 anos com alguns indivíduos chegando perto dos cinco séculos de vida, surpreendendo cientistas.
Por que esse animal vive tanto?
A explicação mais aceita está no metabolismo extremamente lento da espécie. Vivendo em águas profundas e geladas do Atlântico Norte e do Ártico, o tubarão cresce poucos centímetros por ano e leva mais de 100 anos para atingir a maturidade sexual.

Esse ritmo biológico reduzido faz com que todo o seu organismo funcione de forma mais “econômica”, o que contribui para um envelhecimento muito mais lento do que o observado na maioria dos animais. Além disso, o ambiente frio também ajuda a desacelerar processos celulares, prolongando sua vida.
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Onde ele vive e por que é tão difícil de estudar?
O tubarão-da-Groenlândia habita regiões profundas e extremamente frias, o que dificulta o acesso de pesquisadores. Por esse motivo, durante muito tempo ele permaneceu pouco documentado. E pouco era sabido pela comunidade científica sobre esse animal.
Foi apenas em 1995 que a espécie foi registrada em vídeo pela primeira vez. Mesmo hoje, grande parte do que se sabe sobre o animal ainda vem de estudos indiretos. Sua idade, por exemplo, é estimada por meio da análise de tecidos oculares, um método científico relativamente recente.
Fisicamente, o animal pode ultrapassar 6 metros de comprimento e pesar cerca de 900 quilos Apesar do tamanho, é conhecido por sua movimentação lenta, nadando a menos de 2 km/h. Sua alimentação inclui peixes, lulas, focas e até restos orgânicos encontrados no fundo do mar.
O que a ciência pode aprender com isso?
O interesse científico vai muito além da curiosidade. Pesquisadores buscam entender como esses animais conseguem retardar processos naturais do envelhecimento, como a degeneração celular e o surgimento de doenças.
Um estudo publicado na revista Science revelou que um exemplar analisado tinha cerca de 392 anos, possivelmente tendo nascido no século XVII. Esse tipo de descoberta abre caminho para novas pesquisas sobre longevidade.
Além do tubarão, outros organismos também chamam atenção, como a chamada “medusa imortal”, capaz de reverter seu ciclo de vida, e o molusco quahog, que pode viver mais de 500 anos.
Esses exemplos mostram que a vida pode ser muito mais resistente e duradoura do que se imaginava. Ao estudar esses seres, a ciência pode avançar no desenvolvimento de tratamentos ligados ao envelhecimento humano e à prevenção de doenças crônicas.




