Entenda a “guerra” de chimpanzés que já matou dezenas de primatas em Uganda

Comunidade que já foi a maior do mundo se dividiu em dois grupos rivais e protagonizam conflito nunca visto por primatólogos.

Por Agência JAGR | Atualizado em
Chimpanzés na selva
(Foto: Freepik)

Um comportamento raro chamou a atenção da comunidade científica. Pela primeira vez foi documentado por primatólogos o equivalente a uma “guerra” entre chimpanzés-comuns (pan traglodytes). O conflito acontece na comunidade Ngogo, no Parque Nacional de Kibale, em Uganda, localizado na África, e já deixou dezenas de mortos.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

O estudo, publicado pela Science, revela que a violência entre os primatas, considerados os parentes vivos mais próximos dos humanos, pode ajudar a compreender como conflitos internos que também surgem em sociedades humanas.

De convivência à ruptura

Até 2014, a comunidade de Ngogo era a maior já registrada, com quase 200 chimpanzés. Apesar de se organizarem em subgrupos menores, havia interação frequente entre os membros, incluindo alianças e reprodução entre as diferentes “panelinhas”.

No entanto, em meados de junho de 2015, quando surgiram dois grupos principais chamados de “central” e “ocidental”, o equilíbrio existente começou a ser abalado. E, com o tempo, os grupos passaram a ocupar territórios distintos dentro da floresta e deixaram de interagir completamente.

Leia mais:

A “guerra” de fato se iniciou a partir de 2017. Surgiram as chamadas patrulhas, nas quais machos adultos passaram a circular pelas fronteiras dos territórios em busca de membros do grupo rival. Quando se identificava algum indivíduo isolado, os ataques eram violentos e frequentemente fatais.

Entre 2018 e 2024, ao menos sete machos adultos foram mortos nesses confrontos, além dos casos de infanticídio registrados desde 2021.

Possível explicação para a “guerra”

Entre as hipóteses para explicar o conflito estão o tamanho original do grupo, cerca de 200 chimpanzés, que pode ter intensificado a competição por recursos.

Uma outra hipótese é a perda de indivíduos-chave, especialmente após uma epidemia respiratória em 2017, que matou 25 chimpanzés, dos quais 14 eram machos e fêmeas adultos. A ausência de membros mais experientes pode ter enfraquecido os laços sociais e favorecido lideranças mais agressivas.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05