A plataforma X está “agindo para garantir total conformidade com a legislação do Reino Unido” em relação às imagens sexualizadas produzidas pelo Grok, ferramenta de inteligência artificial da empresa. A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, nesta quarta-feira (14/01), durante sessão de perguntas no parlamento do Reino Unido. A declaração ocorre dois dias após o regulador Ofcom iniciar uma investigação formal contra a plataforma.
O órgão regulador britânico começou a investigação na segunda-feira (12/01) após a disseminação de deepfakes sexuais criados com o Grok e compartilhados na plataforma X. Mulheres que tiveram suas imagens manipuladas digitalmente para parecerem sem roupa relataram à BBC que a situação foi humilhante e desumanizadora.
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A repercussão negativa das imagens motivou o Ofcom a iniciar a investigação, enquanto o governo britânico prometeu criar nova legislação proibindo deepfakes não consensuais. O primeiro-ministro chegou a alertar que a plataforma X poderia perder o direito de autorregulação se não adotasse providências.
Posicionamento da plataforma X
A BBC tentou contato com a plataforma X para comentários sobre o caso. Em comunicado anterior, divulgado por meio de sua conta de Segurança, a empresa afirmou que “qualquer pessoa que use ou solicite ao Grok a criação de conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências como se tivesse feito upload de conteúdo ilegal”.
Durante a sessão parlamentar, em resposta à deputada trabalhista Emily Darlington, Sir Keir reafirmou sua condenação ao Grok, classificando-o como “nojento”, e garantiu que o Ofcom tem total apoio dos ministros para agir caso a plataforma X não implemente medidas adequadas.
“Para atualizar a Câmara, fui informado esta manhã que o X está agindo para garantir total conformidade com a legislação do Reino Unido”, declarou Starmer. “Se for assim, isso é bem-vindo, mas não vamos recuar, e eles devem agir. Tomaremos as medidas necessárias. Fortaleceremos as leis existentes e prepararemos legislação se for preciso ir além, e o Ofcom continuará sua investigação independente.”
O primeiro-ministro não especificou quem o informou sobre a mudança de postura da plataforma X. A BBC solicitou esclarecimentos ao governo britânico sobre a origem dessa informação.
Investigação formal e possíveis sanções
O Ofcom anunciou o início da investigação formal contra o X na segunda-feira, citando “relatos profundamente preocupantes” sobre o uso do chatbot para criar e compartilhar imagens de pessoas sem roupa, além de “imagens sexualizadas de crianças”.
Caso seja comprovado que a plataforma X infringiu a lei, o Ofcom pode aplicar multa de até 10% da receita mundial da empresa ou £18 milhões, prevalecendo o valor mais alto. Se a plataforma não cumprir as determinações, o órgão regulador pode solicitar ordem judicial para que provedores de serviços de internet bloqueiem completamente o acesso ao site no Reino Unido.
A investigação acontece em um contexto de crescente preocupação com o uso inadequado de ferramentas de inteligência artificial para criar conteúdo sexual não consensual, levando autoridades britânicas a considerarem medidas mais rigorosas para regular essas tecnologias.
