O CEO da OpenAI, Sam Altman, voltou a aparecer em noticiários ao redor do mundo e nas redes sociais por conta de declarações polêmicas. Em participação especial no evento Express Ada, na Índia, o executivo da empresa dona do ChatGPT defendeu o uso excessivo de energia das plataformas de inteligência artificial dizendo que “treinar humanos também consome muita energia“.
Em meio à revolta com a declaração de Altman, críticos resgataram nas redes sociais uma das batalhas mais obscuras travadas pelo CEO contra a lei: e não, não são as múltiplas acusações em julgamento contra a OpenAI após o ChatGPT incitar e/ou auxiliar jovens a cometerem suicídio, mas sim uma envolvendo o próprio Sam e sua irmã, Annie Altman, que o acusa de abusar sexualmente dela desde os quatro anos de idade.
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Annie Altman levantou as primeiras alegações contra o irmão em 2022, mas o caso foi ao tribunal apenas em janeiro de 2025 e segue em julgamento. A maioria dos detalhes do processo estão publicamente disponíveis na internet, exceto aqueles que demandam segredo de Justiça.
A irmã reconhece que Sam é um homem homossexual, como já é publicamente sabido, mas mantém as acusações e acredita que serviu de “cobaia” sexual na infância para que ele descobrisse sua orientação. Em uma publicação no X, antigo Twitter, ela chega a ironizar o fato: “De nada por te ajudar a ‘se descobrir’, aliás”.
Sam, em uma publicação também no X, e assinada por ele, sua mãe e seus outros dois irmãos, negou e chamou de “inteiramente falsas” as alegações de Annie. O julgamento foi iniciado em março de 2025; ainda não há relatos de acordos ou andamentos novos até o momento da publicação desta matéria.
Altman vs. Altman: O caso
[AVISO: A seção a seguir retrata e descreve situações de abuso sexual. Prossiga com cautela.]
Em uma batalha jurídica que ganhou destaque no início de 2025, Annie Altman apresentou alegações graves contra seu irmão mais velho, Sam Altman, CEO da OpenAI. O processo civil, movido no Distrito Leste de Missouri, detalha uma série de condutas abusivas que teriam ocorrido durante a infância de ambos em St. Louis.
Annie alega ter sofrido abuso sexual sistemático por cerca de uma década, iniciando quando ela tinha aproximadamente três anos e Sam, 12. Segundo a petição inicial, esses abusos teriam progredido de contatos físicos inadequados para atos recorrentes de penetração oral, vaginal e anal, estendendo-se até por volta de 2006, quando Sam já seria maior de idade.
Além do abuso sexual, a autora afirma ter sido vítima de abusos físicos, emocionais, financeiros e tecnológicos. Ela sustenta que o irmão teria utilizado sua influência tecnológica para praticar “shadowbanning” [censura velada] em suas contas de redes sociais e dificultar sua capacidade de gerar renda.
O processo, sob o nome Altman v. Altman, foi registrado em 6 de janeiro de 2025, com o julgamento por júri iniciado em 31 de março de 2025. Annie solicita que o tribunal condene o réu ao pagamento de danos reais acima de 75 mil dólares, além de danos punitivos e custas processuais.
Em resposta pública feita em 7 de janeiro de 2025, Sam Altman negou categoricamente todas as acusações por meio de uma declaração conjunta com sua mãe, Connie Gibstine, e seus irmãos Max e Jack. A família descreveu as alegações como “profundamente dolorosas e inteiramente falsas”.
A defesa da família Altman argumenta que Annie enfrenta sérios desafios de saúde mental, e que eles tentaram apoiá-la financeiramente de diversas formas ao longo dos anos. Sam caracteriza o processo como uma tentativa de obter mais dinheiro, alegando que Annie “ataca membros da família que estão genuinamente tentando ajudar”.
Um ponto central da disputa envolve a herança de Jerry Altman, pai dos irmãos, falecido em 2018. Annie alega que sua mãe e irmãos utilizaram brechas legais para reter fundos de previdência e o testamento do pai por mais de um ano, o que a teria deixado em situação de vulnerabilidade enquanto enfrentava doenças físicas crônicas.
De acordo com o relato de Annie, ela teria reprimido as memórias do abuso sexual por décadas, começando a recuperá-las gradualmente apenas em 2020. Ela descreve ter sofrido de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), crises de pânico, ideação suicida e doenças psicossomáticas desde a infância; para ela, consequências dos abusos que sofreu.
Enquanto Sam Altman ascendia como uma das figuras mais ricas e poderosas da tecnologia, Annie relata ter vivido períodos de falta de moradia e insegurança alimentar no Havaí. Ela afirma que, devido à falta de apoio financeiro da família e à impossibilidade física de trabalhar em empregos comuns, teve que recorrer ao trabalho sexual para sobreviver.
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As fontes mencionam uma troca de e-mails em setembro de 2023, véspera da publicação de um perfil sobre Sam na New York Magazine, onde ele pediu perdão a Annie por condicionar o envio de dinheiro a exigências médicas e financeiras. Annie, contudo, considerou o pedido “um tapa na cara”, questionando o arrependimento tardio apenas quando sua história estava prestes a se tornar pública.
Sam Altman também comentou sobre a estratégia jurídica da irmã, sugerindo que o foco em danos punitivos visa especificamente expor seu patrimônio líquido, que pode exceder um bilhão de dólares, diante de um júri. Ele reiterou que a família continua desejando que ela encontre “estabilidade e paz”, apesar do litígio.
