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Pesquisador da USP explica estudo com pessoas com Down que pode dar luz para tratamento ao Alzheimer

Em entrevista ao programa Link TMC, da TMC, o pesquisador Artur Coutinho detalhou a pesquisa sobre como pessoas com síndrome de Down desenvolvem Alzheimer com maior frequência e isso pode ajudar a sociedade

Recentemente, o Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas (Inrad) da Faculdade de Medicina da USP, divulgou uma pesquisa sobre como os exames de imagem auxiliam no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer. Artur Coutinho, um dos pesquisadores, deu detalhes à TMC sobre o estudo.

“O que acontecia é que sabemos que a inflamação cerebral é um dos processos mais precoces da doença de Alzheimer. A novidade da pesquisa da USP é que estudamos esse grupo específico de pessoas com síndrome de Down. Para quem não conhece, as pessoas com síndrome de Down têm um risco elevadíssimo de terem Alzheimer. Basicamente todas as pessoas com Down que viverem até seus 60, 70 anos, terão Alzheimer“, explicou Artur Coutinho em entrevista ao Link TMC, programa da rádio TMC.

“Um grupo de pesquisa da USP liderado pela Daniele, Carlos e eu começou a estudar um grupo de pessoas com Down desde seus 20 anos de idade. A grande novidade é que essa inflamação cerebral começa desde os 20, 30 anos de idade, então é seguida de proteína amiloide, que é a característica do Alzheimer. Sabemos que, hoje em dia, a proteína amiloide antecede em dez anos a doença. Estamos começando a ver coisas que antecedem a doença com 30 anos, o que é muito importante para podermos prevenir, tanto em pessoas com e sem síndrome de Down“, emendou.

O pesquisador ainda explicou que a ideia do Inrad USP é descobrir os motivos pelos quais as pessoas têm inflamações no cérebro. Desta maneira, será possível desenvolver um tratamento para o Alzheimer.

Minhas perspectivas são muito animadoras, mas digamos que a médio prazo (risos). Quando deixamos bem claro que esse processo de neuroinflamação antecede as placas, começamos a produzir evidências de que o que temos que fazer para não ter as placas é diminuir essa inflamação cerebral. Essa inflamação cerebral é produzia por células do cérebro que não são os neurônios. Isso joga luz que temos que começar a estudar essas outras células nas pessoas que têm risco de Alzheimer. Como faço para essas células ficarem menos estressadas, digamos assim”, explicou o pesquisador.

Sabemos que tem coisas que diminuem essa inflamação. Atividade física, qualidade do sono, qualidade da alimentação, uso do cérebro em atividades sociais e intelectuais são coisas muito boas, mas, se a gente começa a estudar as vias pelas quais essas células ficam estressadas, o objetivo seria em algum momento termos drogas que impeçam essa neuroinflamação“, complementou.

Por fim, Artur Coutinho também comentou porque estudar pessoas com síndrome de Down pode auxiliar a população geral na luta contra o Alzheimer.

“E por que a Down? Porque sabemos que eles terão a doença. Eles têm um cromossomo a mais e sabemos que eles vão produzir mais a proteína amiloide; que com 30 anos eles vão ter essa proteína e com 60, Alzheimer. Agora, primeiro podemos a estudar pessoas nessas condições e, depois, na população geral“, finalizou.

Vale lembrar que o segundo mês do ano é conhecido como Fevereiro Roxo, uma campanha de conscientização sobre Lúpus, Alzheimer e Fibromalgia para alertar quanto à importância do diagnóstico precoce.

Confira a íntegra do Link TMC desta sexta-feira (27/02)

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