Polícia Federal apura furto de 24 cepas de vírus em laboratórios da Unicamp

Professora Soledad Palameta Miller foi detida após sumiço de amostras virais detectado em 13 de fevereiro no Laboratório de Virologia Animal

Por Redação TMC | Atualizado em
"A motivação da subtração de materiais, bem como o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas no caso, estão sob investigação conduzida pelos órgãos federais competentes", destacou a Unicamp em nota.

A Polícia Federal investiga o deslocamento de amostras de vírus entre dois laboratórios da Universidade Estadual de Campinas. O sumiço foi detectado em 13 de fevereiro de 2026 por funcionários do Laboratório de Virologia Animal, no Instituto de Biologia. A professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, foi presa em 24 de março.

Funcionários constataram o desaparecimento de caixas com amostras virais na manhã de 13 de fevereiro. Parte do material foi localizada posteriormente em um laboratório da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad atua como docente. As informações foram divulgadas inicialmente pelo UOL.

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Após a operação policial, a professora foi a um laboratório próximo ao de Virologia Animal. Havia mais amostras de vírus armazenadas sem conhecimento dos responsáveis pelo espaço, segundo o Fantástico (TV Globo). Soledad descartou o material biológico e descaracterizou rótulos e marcações.

Vírus transportados incluem dengue, zika e herpes

O transporte envolveu cepas de vírus da dengue, chikungunya, zika vírus, vírus da herpes e coronavírus humano. As amostras também incluíam cepas do vírus Epstein-Barr e de outros vírus. O material continha 13 tipos de vírus que infectam animais, de acordo com a TV Globo.

A investigação aponta o transporte de 24 cepas de diferentes vírus entre laboratórios da Unicamp. A reitoria informou que não há organismos geneticamente modificados entre as amostras subtraídas. A universidade não divulgou a lista completa de amostras transportadas.

Câmeras registraram presença do casal desde novembro

Soledad e seu marido, Michael Edward Miller, são proprietários de uma empresa de biotecnologia. Michael é aluno de doutorado no Instituto de Biologia da Unicamp. A denúncia da Unicamp e a investigação apontam Michael como principal responsável pela retirada das amostras virais do Laboratório de Virologia Animal.

Imagens de câmeras de segurança registraram Michael nos dias 24 e 25 de fevereiro entrando no Laboratório de Virologia Animal durante a noite e pela manhã. Ele transportava objetos. As câmeras de segurança do Laboratório de Virologia Animal registraram a presença do casal no local desde novembro de 2025. Soledad e Michael frequentavam o laboratório em horários sem a presença de outros funcionários, segundo a emissora.

Apenas Soledad foi presa. André Ribeiro, delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, explicou: “Como esse material estava armazenado na Engenharia de Alimentos, onde a professora suspeita atuava, essa conduta repousa sobre ela”.

A Polícia Federal vai apurar se as cepas de vírus transportadas seriam utilizadas na empresa de biotecnologia do casal. A investigação busca determinar se outras pessoas auxiliaram no transporte dos materiais. Existe a possibilidade de que as cepas tenham sido levadas para outros locais ainda não identificados, de acordo com a emissora.

“A motivação da subtração de materiais, bem como o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas no caso, estão sob investigação conduzida pelos órgãos federais competentes”, destacou a reitoria em nota.

Uma sindicância foi instaurada na universidade. A Polícia Federal investiga o que teria motivado o suposto furto. As circunstâncias atípicas que resultaram no episódio estão sendo averiguadas no âmbito da investigação policial.

A universidade acionou a Polícia Federal e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) assim que tomou conhecimento do caso. O acionamento imediato da PF e da Anvisa “possibilitou a rápida localização e apreensão dos materiais subtraídos”, segundo a reitoria.

O advogado de defesa do casal não respondeu à emissora. Quando questionado sobre a prisão da professora em 24 de março, o advogado Pedro Russo declarou ao UOL que “em virtude do Sigilo Nível 2 decretado pela 9ª Vara Federal de Campinas, a defesa não se pronunciará sobre os fatos investigados”. Russo acrescentou: “Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal”.

A reitoria da Unicamp classificou o episódio como “caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas”. A universidade afirmou que o Laboratório de Virologia opera “em conformidade com protocolos rígidos de segurança”. A área possui classificação de nível de biossegurança 3, conhecido como NB-3. Esse nível indica alta contenção biológica e segue regras rigorosas de segurança.

A reitoria da Unicamp divulgou nota reafirmando o compromisso da instituição. “Reiteramos que a ocorrência em questão foi um caso isolado e, portanto, voltamos a público para reafirmar o nosso compromisso com a missão de promover o conhecimento para uma sociedade democrática, justa e inclusiva, com destaque à excelência no ensino, na pesquisa e na extensão”, declarou a reitoria.

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