No domingo, o Corinthians garantiu a classificação às quartas de final do Campeonato Paulista ao bater o São Bernardo por 1 a 0 — resultado que poderia trazer alívio para o torcedor. Só que esse alívio é misto, porque junto com a vaga vem um sinal de alerta: as lesões musculares no elenco não dão trégua e começam a mexer com as contas da comissão técnica.
Desde o início de 2026, o número de baixas no departamento médico dobrou e virou assunto sério dentro do CT. Jogadores como Yuri Alberto, um dos principais nomes do ataque, estão fora de combate, e isso naturalmente impacta o rendimento e as opções de Dorival Júnior.
Em meio a isso, o Timão se reapresentou nesta terça para retomar os treinos de olho no jogo atrasado do Brasileirão contra o Athletico-PR. A rotina intensa, com força, posse de bola e transição física, mostra que o clube tenta ajustar o físico do grupo de olho não só no estadual, mas também no Campeonato Brasileiro, que começa a pegar ritmo nos próximos dias.
Não dá para ignorar o contexto: calendário apertado, mata-mata pela frente, elenco que oscila entre rodada de Paulistão e rodada de nacional. Essa queima de jogadores expõe uma deficiência que já vinha sendo sinalizada há algum tempo: falta profundidade de elenco para manter nível competitivo em competições simultâneas.
A boa notícia foi ver a evolução de Breno Bidon, que iniciou transição física e está próximo de poder voltar aos planos. Isso gera um respiro para Dorival, que precisa de mais opções para balancear escalações e dar descanso a quem já vem acumulando minutos no time titular.
A classificação ao mata-mata do Paulistão é mérito e traz confiança, mas a temporada do Corinthians é longa e pedreira. O time vai entrar em campo por Paulista e Brasileirão praticamente sem pausa, e isso pede mais do que vontade. Pede cuidado com cargas de trabalho, rodízio inteligente e atenção especial ao departamento físico.
O que mais chama atenção, no meio de tudo isso, é que o Corinthians consegue reagir nas competições mesmo enfrentando dificuldades internas. Não é pouco, principalmente num cenário em que outras equipes começam a sentir os efeitos da mesma rotina puxada.
Classificação dá moral. Calendário não dá descanso. O Corinthians vai seguir entrando em campo praticamente a cada três dias. A questão agora é simples: vamos ver até quando esse elenco aguenta essa maratona sem que o departamento médico vire protagonista da temporada.
