Henrique Carmo, da TMC de Brasília
Brasília – Dois pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foram protocolados na Câmara Legislativa do DF (CLDF) por parlamentares de oposição, em meio a um contexto político tenso e marcado por protestos e mobilizações em defesa da saída do chefe do Executivo local.
Os documentos foram apresentados pelos partidos PSOL e PSB, com assinaturas de deputados como Fábio Félix, o ex‑governador Rodrigo Rollemberg e o presidente do Cidadania‑DF, Cristovam Buarque. Uma nova representação deve ser protocolada por outras siglas de esquerda, incluindo PT, PC do B, PV, PDT e Rede, ampliando a pressão sobre Ibaneis.
A base das iniciativas é a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que acabou barrada pelo Banco Central e virou alvo de investigação por suspeitas de irregularidades e possível prejuízo ao erário público.
Além dos pedidos na CLDF, o governador também enfrenta dois pedidos de investigação encaminhados ao Ministério Público Federal relacionados ao mesmo caso, que é investigado por órgãos como a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.
Na retomada dos trabalhos legislativos após o recesso, a volta das atividades foi marcada por protestos de deputados e militantes pedindo o impeachment e a abertura de uma CPI para apurar as operações entre BRB e Master, e não houve votação imediata das proposições.
O processo de impeachment ainda precisa ser analisado pelo presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB), antes de começar a tramitar oficialmente.
O que diz Ibaneis
Em sua defesa, Ibaneis afirmou que os pedidos de impeachment fazem parte do “trabalho democrático da oposição” e afirmou estar “totalmente limpo nessa história”, negando qualquer irregularidade nas negociações e ressaltando que contatos com empresários envolvidos foram de caráter institucional.
O escândalo político ganhou ainda mais repercussão após depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que confirmou ter tido encontros com o governador em contexto institucional durante as tratativas sobre a operação.
À medida que o debate político avança no Distrito Federal, o embate entre oposição e governo promete manter a crise em evidência na agenda pública e legislativa nos próximos dias.
