O Sistema Cantareira, principal reservatório de água que abastece São Paulo, opera atualmente com apenas 19% de sua capacidade total.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) projeta dificuldades no abastecimento para 2026, mesmo em cenários otimistas de chuva. A situação afeta diretamente cerca de nove milhões de pessoas na capital e Região Metropolitana que dependem deste sistema.
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O baixo volume registrado nesta sexta-feira (16/01) representa o menor nível desde a crise hídrica de 2014. A queda resulta da severa estiagem que atingiu o Sudeste em 2025, quando a região recebeu apenas 900 milímetros de chuva, volume inferior ao registrado durante a crise de 2014-2015 e o menor da última década.
Em entrevista à TMC, o professor da Escola Politécnica da USP José Carlos Mierzwa, alerta que a situação do sistema é agravado pelo volume de chuvas abaixo da média: “A partir do início do período chuvoso choveu menos da média histórica. Então isso tem um efeito sobre a recuperação do nível dos reservatórios, especialmente do Cantareira que é o principal sistema de abastecimento da região metropolitana. A recuperação está sendo muito lenta”, explicou.
O volume de chuvas em janeiro não tem sido suficiente para deixar o cantareira no nível satisfatório para operação: “Até hoje, na metade do mês de janeiro, choveu menos da metade do que é previsto para o mês de janeiro”, afirmou José Mierzwa. Segundo o professor, o aumento do consumo em janeiro também é um fator preocupante.
O alerta serve especialmente para que a cidade se prepare para o período de seca: “A gente precisa estar preocupado porque 20% é um volume relativamente baixo. Isso por que vamos ter que considerar o período de estiagem, que a gente ainda vai passar. Serão praticamente seis meses com um volume de chuvas bem abaixo”, explica o professor da Escola Politécnica da USP.
Segundo ele, o racionamento de água é uma realidade possível. Ele recomenda ainda que a população economize o máximo possível de água.
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Veja a entrevista completa com o professor da Escola Politécnica da USP José Carlos Mierzwa:
