O príncipe William chegou nesta segunda-feira (09/02) à Arábia Saudita para uma visita considerada como o maior desafio diplomático do herdeiro do trono até hoje. O objetivo é ajudar o governo britânico a fechar acordos ligados a comércio, defesa e também para promover os interesses comuns entre os dois lados em educação e cultura.
Tem um acordo comercial bem importante sendo costurado nos bastidores entre o Reino Unido e não só a Arábia Saudita, mas também Bahein, Kuwait, Omã, Qatar, Emirados Árabes e que estaria quase fechado. O governo britânico pediu pro William ir até lá para exercer o tal “soft power”, a habilidade de influenciar líderes mundiais através do charme, do poder de persuasão em vez da força. Isso é algo que a monarquia britânica faz muito bem. Estender o tapete vermelho para líderes mundiais quando eles visitam o Reino Unido, como aconteceu recentemente com Trump. E quando a Família Real vai até eles, essas viagens internacionais servem para melhorar as relações bilaterais. E a gente tá falando de um dos parceiros mais importantes do Reino Unido no Oriente Médio.
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A questão é ser a Arábia Saudita. William vai se encontrar com o príncipe Mohammed bin Salman. E aí tá uma pequena polêmica dependendo de para quem você pergunte. Porque um relatório do Departamento de Defesa norte-americano apontou bin Salman como tendo autorizado o assassinato do jornalista Jamal Cashog em 2018. E agora o William vai posar para fotos ao lado desse homem.
Grupos como a Anxi Internacional sempre chamam a atenção de que a Arábia Saudita tem um governo autoritário onde ser homossexual é crime. Acusam o reino de “sports washing”, um outro termo que é quando um país usa o esporte para tentar limpar sua imagem. E a Arábia Saudita quer diversificar as suas receitas além do petróleo. Então tem investido bilhões em turismo, tecnologia, eventos esportivos… Eles vão sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2034 e tentam mostrar que estão se abrindo pro mundo, porque dizem, as mulheres podem dirigir, mas é um lugar que restringe profundamente os direitos das mulheres.
O príncipe William está muito bem brifado sobre tudo isso, não só pela equipe dele, não só por ele mesmo, mas pelo pai também. O rei Charles III foi diversas vezes à Arábia Saudita. E não é só o Reino Unido que quer estreitar relações. Quando a gente fala de europeus, ao menos recentemente, o presidente francês Emanuel Macron, o chanceler alemão, Frederic Mers, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, também foram até lá.
E agora o William é visto como o nome perfeito para ajudar o governo britânico, porque ele é muito popular, não só dentro do Reino Unido, mas com líderes mundiais. Ele é muito carismático, ele consegue navegar nesses dois mundos porque, tanto ele se mostra com ideias progressistas, diz que quer reformar a monarquia, e ao mesmo tempo ele tem um bom relacionamento com o Donald Trump e com a família real da Arábia Saudita.
Tem até um artigo da BBC que cita William como “uma arma secreta diplomática do governo britânico”. E essa é uma função muito importante da família real que nem todo mundo às vezes percebe, que é o “soft power”. Porque governos políticos vêm, vão, mas a monarquia fica.
Ela passa essa imagem de estabilidade, de continuidade, que é algo que gera confiança na hora de fechar negócios com outras nações. Mas é fato que se essa é uma visita muito importante pro governo britânico, também coloca o futuro rei numa posição pouco delicada.
