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Dá pra cortar? Especialista explica tudo sobre tornozeleiras após caso Jair Bolsonaro

Desembargadora revela truques bizarros, falhas comuns e o preço salgado do monitoramento eletrônico

O fim de semana foi dominado por uma pergunta meio absurda, mas totalmente inevitável: afinal, dá para cortar uma tornozeleira eletrônica? A dúvida veio após o ex-presidente Jair Bolsonaro queimar o dispositivo antes de ser preso preventivamente. Para entender como esse sistema funciona e se alguém realmente consegue burlar o equipamento, a desembargadora Ivana Davi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, detalhou tudo em entrevista à TMC.

Sim, já teve tornozeleira em cachorro, roseira e até na avó

Segundo Ivana, casos de criatividade criminosa não são raros. Com mais de 170 mil pessoas monitoradas no país, ela já viu de tudo: tornozeleira presa no cachorro, no gato, amarrada em árvore e até colocada na perna da avó para simular movimentação dentro de casa. Ela explica que o dispositivo mistura GPS com tecnologia de telefonia, usando até dois chips — como no aparelho usado por Bolsonaro — para reforçar o sinal.

A desembargadora contou que alguns conseguem tirar o equipamento “pelo pé”, sem quebrar a cinta de fibra ótica, o que evita disparar o alerta imediato. Mesmo assim, a maioria das tentativas mal-sucedidas dispara sinal de violação em tempo real e aciona a equipe responsável.

E dá para tirar queimando? Spoiler: não, e ainda apita

No caso de Bolsonaro, o aquecimento acionou o alarme quase na hora. Ivana explicou que qualquer tentativa de danificar a cinta ou retirar a tampa superior do módulo dispara aviso no sistema. Cada estado monitora seus dispositivos de formas diferentes, mas todos operam com equipes 24h acompanhando violação de área, bateria baixa e sinais de rompimento.

Ela reforça que a tornozeleira pode molhar, pode entrar no banho, mas não pode ser aquecida — o que explica o alerta imediato quando o ex-presidente usou solda.

Por que custa tão caro? Porque não é só o aparelho

De acordo com a magistrada, o valor de cada tornozeleira varia conforme contrato estadual, mas o custo mensal pode chegar a R$ 500 por monitorado. O preço alto vem menos do dispositivo em si e mais do serviço contínuo: equipes de prontidão, estrutura tecnológica, manutenção e substituições constantes. Porém, ainda assim, monitorar sai muito mais barato que manter alguém no sistema prisional fechado.

No Brasil, só São Paulo tem mais de 200 mil presos e outros milhares em monitoramento eletrônico — o que torna a tornozeleira uma ferramenta essencial para desafogar o sistema.

Se Bolsonaro voltar ao domiciliar, ganha tornozeleira nova

Ivana confirmou que a tornozeleira queimada será substituída caso o STF autorize Bolsonaro a cumprir prisão em casa. O equipamento atual foi lacrado, enviado à perícia da Polícia Federal e deve ser usado como prova. Danificar o dispositivo pode gerar punições, incluindo regressão de regime para presos já condenados, e todo “tornozelado” assina um termo de responsabilidade ao receber o equipamento.

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