O encontro, realizado de forma virtual, reunirá líderes de cerca de 30 países que integram uma coalizão criada por Reino Unido e França em março, com foco na segurança da Ucrânia. Ela será conduzida pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo presidente francês Emmanuel Macron. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, também confirmou participação nas conversas previstas para hoje. Não há expectativa de entrevista coletiva ou declaração oficial ao término da reunião.
Essa coalizão tem se articulado para discutir medidas relacionadas à segurança militar em território ucraniano após o fim da guerra, com o objetivo de impedir novos ataques da Rússia. O compromisso central do grupo é proteger a paz na Ucrânia, embora existam diferenças entre os países sobre como atingir esse objetivo. O Reino Unido afirmou estar preparado para enviar tropas para proteger as fronteiras ucranianas em caso de um cessar-fogo. Outros países não assumem o compromisso de presença militar, mas oferecem apoio logístico e fornecimento de armamentos.
Paralelamente às discussões da coalizão, Estados Unidos e Ucrânia trabalham em uma nova versão de um plano de paz. Esse documento, que contém 19 pontos, não foi oficialmente divulgado. Segundo informações publicadas pela agência de notícias Reuters, trata-se de uma atualização do plano original. A proposta teria sido elaborada a partir de uma contraproposta construída por autoridades de Reino Unido, França e Alemanha, em conjunto com representantes dos Estados Unidos e da Ucrânia, durante o último fim de semana.
Essa nova versão aborda temas como presença militar na Ucrânia, questões territoriais e a possibilidade de o país tornar-se membro da OTAN. O presidente ucraniano Volodimir Zelenski afirmou que teve uma conversa telefônica produtiva com Keir Starmer antes da reunião marcada para hoje. Segundo Zelenski, existem vários caminhos possíveis para a paz, e o diálogo com o primeiro-ministro britânico teria reforçado essa percepção.
A coalizão liderada por Reino Unido e França tem buscado articular uma posição comum entre países que demonstram apoio contínuo à Ucrânia desde o início da guerra. Embora os detalhes sobre a condução das discussões sejam mantidos sob discrição, a reunião desta manhã faz parte de um esforço mais amplo de alinhamento político e militar entre aliados europeus e parceiros atlânticos. A expectativa é de que o grupo avance na definição de parâmetros mínimos para uma iniciativa coordenada de segurança, especialmente diante das diferentes visões sobre a extensão do envolvimento estrangeiro em um cenário de cessar-fogo.
Apesar das divergências, há consenso entre os integrantes da coalizão de que será necessário estabelecer um arranjo de segurança robusto para evitar que novos ataques à Ucrânia ocorram após o fim das hostilidades. O ponto que gera mais debate é a participação direta de tropas estrangeiras no território ucraniano, algo defendido por alguns países e rejeitado por outros. Além disso, a discussão sobre a possível adesão da Ucrânia à OTAN permanece sensível e envolve aspectos geopolíticos que ultrapassam as fronteiras europeias.
A expectativa em torno do plano de paz em elaboração segue alta, já que o documento pode se tornar uma base para negociações futuras. Embora ainda não haja previsão de divulgação dos 19 pontos, autoridades envolvidas no processo indicam que o texto busca conciliar preocupações militares, territoriais e diplomáticas em um possível cenário pós-guerra. Enquanto isso, reuniões como a desta manhã continuam a funcionar como parte do esforço internacional para construir um entendimento comum sobre o que pode ser necessário para garantir estabilidade duradoura na região.
Zelenski tem reiterado que seu governo trabalha para consolidar acordos que assegurem proteção efetiva para o território ucraniano. O diálogo com líderes europeus, segundo ele, é essencial para ampliar alternativas estratégicas, especialmente em um contexto no qual diferentes países avaliam graus distintos de envolvimento militar. Para a Ucrânia, a possibilidade de ampliar alianças e fortalecer compromissos internacionais é vista como passo importante no processo de busca por uma solução pacífica e duradoura.
Ainda que não haja previsão de comunicado ao fim da reunião, o encontro representa mais uma etapa das discussões multilaterais sobre o futuro da segurança ucraniana. A coalizão formada em março segue atuando como espaço de diálogo entre países que, apesar de visões distintas, afirmam manter o compromisso de apoiar a Ucrânia nas negociações que venham a definir sua situação após o conflito.
