Marco no setor: Eldorado emite primeira debênture de infraestrutura do país

Operação financia construção de 86,7 km de malha ferroviária para escoamento de celulose

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Reprodução)

O BNDES coordenou a primeira operação com debêntures de infraestrutura para a Eldorado Brasil Celulose construir uma ferrovia em Mato Grosso do Sul. A operação captou R$ 1 bilhão para a construção de uma malha de 86,7 quilômetros entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado. O banco também aprovou R$ 2 bilhões para a Rumo desenvolver a primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT).

A emissão marca a estreia das debêntures de infraestrutura, instrumento financeiro criado em 2024. A Eldorado Brasil Celulose, do grupo J&F, utilizará os recursos para construir uma ferrovia destinada ao escoamento da produção de celulose. A nova malha conectará a unidade industrial da empresa em Três Lagoas ao terminal em Aparecida do Taboado, onde se integrará às estruturas da Rumo.

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O projeto ferroviário da Eldorado se desenvolve sob o regime de autorização estabelecido em 2021. Neste modelo, a empresa privada assume a responsabilidade pelo ativo desde sua concepção. O financiamento total inclui R$ 1 bilhão das debêntures e R$ 50 milhões adicionais da linha Finem do BNDES.

“O projeto apoiado vai reduzir os custos logísticos e aumentar a competitividade da celulose brasileira, num setor em que o país é um dos maiores produtores do mundo, com cerca de 24,3 milhões de toneladas ano, atrás apenas dos Estados Unidos e da China”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota divulgada sobre a operação.

As debêntures de infraestrutura se diferenciam das debêntures incentivadas, criadas em 2011, pelo direcionamento do benefício fiscal. Nas incentivadas, o benefício é concedido ao comprador pessoa física, que não paga Imposto de Renda sobre os ganhos. Já nas debêntures de infraestrutura, o benefício é direcionado ao emissor do título.

“O título ofertado traz ainda uma outra inovação: remuneração atrelada a uma cláusula de variação cambial, outra possibilidade nova trazida também pela Lei 14.801”, destacou o BNDES em nota.

O banco também aprovou financiamento de R$ 2 bilhões para a Rumo concluir a primeira etapa da FMT. Esta fase compreende o trecho entre Rondonópolis e o terminal da BR-070, em Dom Aquino, com extensão de 162 quilômetros. A previsão de conclusão das obras é para o segundo semestre de 2026.

O projeto completo da Ferrovia Estadual de Mato Grosso prevê a implantação de aproximadamente 743 km, divididos em cinco fases. A malha interligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, incluindo um ramal destinado a Cuiabá. A execução das obras deve gerar 114 mil empregos, segundo informações do BNDES.

O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de celulose, com volume anual de 24,3 milhões de toneladas. Os Estados Unidos e a China lideram a produção global.

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