O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Renee Nicole Good, de 37 anos, morta por um agente de imigração em Minneapolis, teve comportamento inadequado antes do incidente fatal. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (8) ao jornal “The New York Times”, o presidente americano classificou o disparo como legítima defesa e alegou que a vítima teria atropelado o agente.
Trump declarou ao jornal que uma gravação do incidente comprovaria sua versão. No entanto, repórteres que assistiram ao vídeo junto com o presidente republicano indicaram que as imagens não mostram o momento em que o agente teria sido atropelado, contradizendo a narrativa presidencial.
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Até o momento, nenhum vídeo confirmou a tese de legítima defesa apresentada pelo presidente e pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA. Uma testemunha ocular contestou essa versão em declaração à CNN.
O incidente ocorreu ontem em Minneapolis, no estado de Minnesota, durante uma operação realizada por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega). Good, cidadã americana, foi baleada e morreu no local, deixando sua esposa e três filhos, incluindo um menino de seis anos que morava com ela.
Jason Chavez, membro do Conselho Municipal de Minneapolis, descreveu a vítima à ABC News como uma “observadora” que estava “cuidando de nossos vizinhos imigrantes” quando foi morta.
O Departamento de Segurança Interna emitiu um comunicado, reproduzido pela CNN Internacional, alegando que manifestantes violentos teriam atropelado os agentes. Segundo o órgão, “o agente do ICE, temendo por sua vida, pela vida de seus colegas e pela segurança pública, disparou em legítima defesa“. O comunicado também afirma que o carro dos agentes ficou preso na neve e que manifestantes teriam agido agressivamente.
As versões sobre o que provocou o disparo fatal são contraditórias. Testemunhas e autoridades locais contestam a narrativa federal, enquanto o presidente e o Departamento de Segurança Interna mantêm a versão de legítima defesa.
Trump indicou em suas redes sociais que as investigações sobre o caso prosseguem, afirmando que a situação está sendo investigada “em sua totalidade”.
Autoridades locais de Minnesota reagiram ao incidente. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, exigiu a retirada dos agentes federais de imigração da cidade. “A presença de agentes federais de imigração está causando caos em nossa cidade”, declarou o democrata em suas redes sociais.
O governador de Minnesota, Tim Walz, também democrata, pediu a saída dos agentes federais. “A partir de agora, tenho uma mensagem muito simples: não precisamos de mais nenhuma ajuda do governo federal. Donald Trump e Kristi Noem [secretária de Segurança Interna] já fizeram o suficiente”, afirmou em coletiva de imprensa.
Keith Ellison, procurador-geral de Minnesota, criticou a presença dos agentes e cobrou investigação. “Se alguém infringiu a lei neste ato de violência, farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que sejam responsabilizados”, publicou em suas redes sociais.
Emily Heller, testemunha que presenciou o incidente, declarou à CNN: “Não posso deixar essa narrativa de que foi defesa de si mesmo ir mais longe, porque isso absolutamente não é o que foi“. Ela afirmou ter imaginado que a “narrativa de legítima defesa” seria apresentada, mas insistiu que “não foi o que aconteceu”.
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Em sua rede social, Trump classificou a situação como “É horrível de se ver. A mulher que gritava era, obviamente, uma agitadora profissional, e a motorista do carro estava causando muita desordem, obstruindo e resistindo, e então atropelou violentamente, deliberadamente e cruelmente o agente do ICE, que parece ter atirado nela em legítima defesa”.
O presidente também mencionou que “a esquerda radical está ameaçando, agredindo e atacando nossos policiais e agentes do ICE diariamente”.
