Acordo Mercosul-UE: ex-embaixador destaca ganho geopolítico e rebate protecionismo europeu

A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pelo Parlamento Europeu, ocorrida nesta sexta-feira (9/1/2026), marca o fim de um ciclo de negociações que se arrastou por mais de 25 anos. Para o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, o impacto do tratado vai muito além das cifras comerciais, representando […]

Por Redação TMC | Atualizado em
Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington
Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington (Divulgação/CEBRIonline)

A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pelo Parlamento Europeu, ocorrida nesta sexta-feira (9/1/2026), marca o fim de um ciclo de negociações que se arrastou por mais de 25 anos. Para o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, o impacto do tratado vai muito além das cifras comerciais, representando um reposicionamento estratégico do Brasil e do bloco sul-americano no tabuleiro da geopolítica internacional.

Em entrevista exclusiva à TMC, Barbosa destacou que o acordo insere o Mercosul novamente nas grandes mesas de negociação global. “Em mais de 30 anos, o bloco assinou poucos acordos relevantes. Com a União Europeia, abre-se uma ‘terceira via’ para o Brasil, permitindo um equilíbrio de forças em relação à dependência comercial e política de potências como Estados Unidos e China”, explicou o diplomata.

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Protecionismo e competitividade

Apesar do entusiasmo do governo brasileiro — com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificando a aprovação como um “dia histórico para o multilateralismo” — o acordo ainda enfrenta forte resistência, especialmente de agricultores franceses.

Barbosa minimiza o argumento de que o agronegócio sul-americano seria uma ameaça existencial aos produtores europeus. Segundo ele, a gritaria de países como a França esconde uma perda de competitividade interna da Europa Ocidental para os países do Leste Europeu (como Polônia e Romênia), que possuem custos de produção e salários menores.

“O Mercosul não é uma ameaça real à União Europeia. As cotas previstas no acordo são pequenas e existem salvaguardas rigorosas relacionadas ao desmatamento e à emissão de carbono”, afirmou Barbosa. Para o ex-embaixador, os protestos em Paris são usados como moeda de troca política para obter mais subsídios do bloco europeu, que recentemente liberou um pacote de 48 bilhões de euros para o setor agrícola.

Um mercado de US$ 22 trilhões

Os números do tratado impressionam: o acordo conectará mercados que somam cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de mais de US$ 22 trilhões. Trata-se de um dos maiores tratados de livre comércio do mundo.

Além da redução de tarifas, o diplomata ressaltou que o acordo traz avanços administrativos, como a simplificação de burocracias e medidas sanitárias mais flexíveis. Barbosa, que chefiou a embaixada em Washington entre 1999 e 2004, lembrou que o trabalho de bastidor dos diplomatas foi essencial para manter as negociações vivas por duas décadas e meia, atravessando diferentes governos e crises globais.

Leia mais: Países da União Europeia aprovam acordo com Mercosul, diz agência

Embora o sinal verde da União Europeia seja um passo definitivo, a data para a assinatura solene e o início da vigência das novas regras comerciais ainda serão acordados entre os blocos. O governo brasileiro sauda a decisão como um marco de eficiência para o Mercosul e uma oportunidade de ouro para a indústria e o agronegócio nacional.

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