O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não tem qualquer ligação com a investigação criminal aberta por procuradores federais contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. A apuração foi anunciada no domingo (11) e é conduzida pelo escritório da Procuradoria dos EUA no Distrito de Columbia.
O inquérito investiga se Powell mentiu ao Congresso ao prestar depoimento sobre os custos da reforma da sede do banco central americano, estimada atualmente em US$ 2,5 bilhões. As obras começaram em 2022 e devem ser concluídas em 2027, com um aumento de cerca de US$ 700 milhões em relação ao orçamento inicial, que era de US$ 1,8 bilhão.
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Em declaração pública, Powell confirmou ter recebido intimações do Departamento de Justiça e classificou a iniciativa como “sem precedentes”. Segundo ele, a investigação seria um pretexto para forçar sua saída do cargo, em meio a pressões políticas relacionadas à condução da política monetária. “A questão central é se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, afirmou.
Questionado sobre as declarações de Powell, Trump disse à emissora NBC News que não sabe nada sobre a investigação e voltou a criticar o presidente do Fed. “Ele certamente não é muito bom no Fed, e também não é muito bom em construir prédios”, afirmou. O presidente também negou que a apuração tenha relação com a decisão do banco central de reduzir os juros em 0,25 ponto percentual nas últimas três reuniões — cortes considerados insuficientes por Trump, que defende uma taxa próxima de 1,5%. Atualmente, os juros estão entre 3,5% e 3,75%.
Trump critica Powell desde antes de assumir a Presidência e já declarou publicamente que gostaria de demiti-lo. O mandato do presidente do Fed vai até 15 de maio, e Powell afirmou que não pretende deixar o cargo antes do prazo.
As decisões sobre juros nos EUA são tomadas pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), formado por 12 integrantes. Nas últimas reuniões, o colegiado apresentou divisão nos votos, situação incomum na história recente do Fed. Em dezembro, o corte de 0,25 ponto teve nove votos favoráveis, enquanto três membros defenderam posições diferentes.
A investigação também provocou reação no Congresso. O senador republicano Thom Tillis afirmou que irá se opor à confirmação de qualquer indicado ao Fed enquanto a situação não for esclarecida, citando riscos à independência do banco central e à credibilidade do Departamento de Justiça. Parlamentares democratas também criticaram a postura do governo, acusando Trump de tentar interferir na autonomia da autoridade monetária.
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O Fed sustenta que a reforma dos prédios é necessária porque as estruturas, construídas na década de 1930, nunca passaram por uma modernização completa. O projeto inclui a remoção de amianto e chumbo e a adequação às normas de acessibilidade. Em audiência no Congresso, Powell negou que a versão atual da obra preveja itens de luxo, como salas VIP ou elevadores exclusivos, mencionados em propostas anteriores.
