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Chuvas abaixo da média histórica preocupam governo e setor energético

Especialistas do setor elétrico identificaram baixo volume de precipitações no período úmido 2025-2026

Os principais reservatórios de geração hidrelétrica nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil enfrentam recuperação lenta devido às chuvas abaixo da média histórica. E a situação já preocupa especialistas do setor elétrico com o baixo volume de precipitações no período úmido 2025-2026.

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O nível médio de armazenamento nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentram 70% dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN), está em aproximadamente 43%, segundo dados da Agência iNFRA.

A meteorologista Marcely Sondermann, especialista em Clima e Energia da Climatempo, explica que as chuvas têm sido escassas em grande parte do território nacional. “Até agora, as chuvas não têm sido suficientes para uma recuperação consistente dos principais reservatórios”, afirmou a especialista.

Durante o período úmido atual, foram registrados apenas dois episódios de chuvas volumosas capazes de elevar os níveis de forma significativa – um em dezembro de 2025 e outro no início de janeiro de 2026.

Mesmo com a previsão de formação de um novo “corredor de umidade” em janeiro, a recuperação dos reservatórios tende a ser “limitada e gradual”, conforme explicou Marcely.

O head de Planejamento e Inteligência de Mercado da consultoria PSR, Mateus Cavaliere, observa que a “frustração de chuvas já começa a acender alertas” no mercado.

Segundo ele, o mercado de contratos reage com ajustes semanais nas cotações de preços, afetando inclusive contratos com entregas nos próximos anos, “porque o sistema chegaria mais pressionado”.

Para o mercado regulado, a situação pode resultar em maior acionamento das bandeiras tarifárias em 2026 e possíveis “restos a pagar” no ano seguinte, de acordo com o especialista da PSR.

Para os próximos meses, as previsões indicam a formação do El Niño no final do inverno, fenômeno associado a secas no Norte e Nordeste e maior volume de chuvas no Sul. Este fenômeno pode elevar as temperaturas, aumentando o consumo de energia elétrica.

“Além disso, com os oceanos mais aquecidos, há um maior favorecimento para a formação de bloqueios atmosféricos e interrupções da chuva ao longo do período úmido de 2026/2027. Esse conjunto de fatores reforça a necessidade de monitoramento contínuo das condições climáticas e hidrológicas“, explica a meteorologista.

Cavaliere aponta que o “playbook clássico” para mitigar os efeitos da escassez hídrica seria o acionamento de usinas térmicas para preservação dos reservatórios. No entanto, ele ressalta que essa decisão requer uma avaliação “mais criteriosa” devido ao “encarecimento recente da curva de geração térmica”.

O especialista menciona programas como Resposta da Demanda e aperfeiçoamentos no sinal de preço como alternativas importantes.

Apesar do cenário atual, Cavaliere considera possível uma “recuperação tardia” dos reservatórios até o final do período úmido, que se estende até maio.

Leia mais: ENEL diz que apagão de dezembro atingiu 4,4 milhões de clientes em São Paulo

“Em nossas simulações, os cenários críticos para suprimento ainda são minoria e dependeriam de uma frustração maior do que a que está sendo observada agora em janeiro”, afirmou à Agência iNFRA.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta uma “recuperação gradual” dos níveis do subsistema Sudeste/Centro-Oeste entre janeiro e março, “condicionado à evolução das afluências que ocorrerão neste período”. O órgão mantém acompanhamento sistemático dos níveis e monitoramento contínuo das condições de atendimento eletroenergético do país.

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