O Fórum Econômico Mundial começa nesta segunda-feira (19/01), em Davos, na Suíça, em um cenário marcado por protestos nas ruas, tensões geopolíticas crescentes e forte expectativa em torno da presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A edição de 2026, a 56ª da história do evento, tem como tema central “o espírito de diálogo”, justamente em um momento de aprofundamento de conflitos econômicos, políticos e militares no mundo.
Considerado a principal vitrine do multilateralismo e do livre comércio, o fórum reúne líderes políticos, empresários e representantes de organizações internacionais de mais de 100 países. Os trabalhos seguem até 23 de janeiro, com foco especial nos rumos da economia global e na reorganização das relações internacionais.
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Um dos principais destaques desta edição é o retorno de Donald Trump a Davos após seis anos. O presidente norte-americano chega acompanhado da maior delegação já registrada no evento, com mais de 300 integrantes, número recorde. Sua presença ocorre em meio a críticas internacionais e após uma série de movimentos que elevaram a tensão global, como a ameaça de sobretaxas comerciais a países europeus contrários à proposta dos EUA de anexação da Groenlândia.
Além disso, Trump pode usar o palco do fórum para abordar temas de política externa, como a criação e a ampliação de um Conselho da Paz para Gaza, e para dialogar diretamente com o eleitorado norte-americano. Com as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro, o presidente tende a enfatizar assuntos internos, como o custo de vida e o acesso à moradia nos Estados Unidos.
A guerra na Ucrânia também ocupa lugar central na agenda. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, busca apoio internacional para um acordo de paz, enquanto Trump defende uma solução rápida para o conflito. A Rússia, novamente ausente de Davos, segue sob sanções e boicote internacional, o que limita avanços concretos nas negociações.
Nos bastidores, líderes devem tratar ainda da situação na Venezuela e no Irã, após recentes episódios de instabilidade política e repressão violenta por parte dos regimes locais.
Fora das salas de debate, o clima é de contestação. Cerca de 600 manifestantes iniciaram no sábado (17/01) uma marcha em direção a Davos, com faixas que criticam o poder econômico concentrado no fórum. Organizado pelo coletivo Strike-WEF, o protesto pede justiça social e denuncia o que os organizadores chamam de decisões “não democráticas” tomadas por líderes políticos e empresariais. A mobilização deve culminar em um ato autorizado pela prefeitura, com apoio da Juventude Socialista da Suíça.
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O ambiente de tensão é reforçado pelo Relatório de Riscos Globais 2026, divulgado pelo próprio Fórum Econômico Mundial. O documento aponta a explosão de conflitos geoeconômicos como o principal risco de curto prazo, além de desinformação, polarização social, eventos climáticos extremos e conflitos armados. Segundo o levantamento, 40% dos especialistas projetam um período de forte instabilidade nos próximos dois anos, percentual que sobe para 57% na perspectiva de uma década.
