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Argentina aprova reforma trabalhista de Milei que altera férias e indenizações

Senado registrou 42 votos favoráveis e 28 contrários em sessão tensa na sexta-feira; projeto segue para sanção presidencial e entra em vigor conforme prazos

Por Redação TMC | Atualizado em
O Senado argentino realiza uma sessão para discutir a lei de reforma trabalhista proposta pelo governo libertário do presidente Javier Milei, com o objetivo de atrair investimentos e reativar o crescimento, mas que, segundo os sindicatos, representará um retrocesso nos direitos dos trabalhadores. A reunião ocorreu em Buenos Aires, Argentina. (Foto: Matias Baglietto/Reuters)
Câmera Fotográfica O Senado argentino realiza uma sessão para discutir a lei de reforma trabalhista proposta pelo governo libertário do presidente Javier Milei, com o objetivo de atrair investimentos e reativar o crescimento, mas que, segundo os sindicatos, representará um retrocesso nos direitos dos trabalhadores. A reunião ocorreu em Buenos Aires, Argentina. (Foto: Matias Baglietto/Reuters)

O Senado argentino aprovou a reforma trabalhista do presidente Javier Milei. A votação ocorreu na noite desta sexta-feira (27/02) e registrou 42 votos favoráveis, 28 contrários e duas abstenções. O projeto segue para sanção presidencial.

A sessão durou horas sob forte tensão. O texto havia sido aprovado anteriormente na Câmara dos Deputados com modificações. Após a sanção presidencial, a nova lei entrará em vigor conforme os prazos estabelecidos.

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Na Câmara dos Deputados, a aprovação aconteceu com 135 votos favoráveis e 115 contrários. O governo negociou cerca de 30 alterações no texto original para viabilizar a aprovação. Pontos que enfrentavam maior resistência foram eliminados. A sessão foi marcada por provocações e confrontos do lado de fora do prédio.

O governo defende que a reforma moderniza regras consideradas rígidas e desatualizadas. O objetivo declarado é reduzir custos trabalhistas, aumentar a segurança jurídica e incentivar a criação de empregos formais. A votação é considerada um dos momentos mais decisivos do governo e consolida uma das principais bandeiras da agenda econômica oficial.

Reações e protestos

Sindicatos e movimentos sociais se posicionam contra as mudanças. Afirmam que a reforma reduz direitos históricos e enfraquece a negociação coletiva. A sessão ocorreu em meio a uma nova onda de mobilizações convocadas por sindicatos contrários às alterações.

Do lado de fora do Congresso, manifestantes se concentraram na região central de Buenos Aires. A mobilização foi organizada pela Frente Sindical Unida (FreSU), com marcha até o Parlamento. Houve bloqueios de ruas e presença policial no entorno do prédio.

Os sindicatos já indicaram que pretendem recorrer à Justiça contra trechos que consideram inconstitucionais. Para o governo, a aprovação representa a consolidação de uma das reformas estruturais prometidas durante a campanha. Para os sindicatos, marca o início de uma nova etapa de disputa jurídica.

Principais mudanças aprovadas

A reforma trabalhista altera diversos aspectos das relações de trabalho na Argentina.

FériasOs períodos de descanso poderão ser divididos em blocos mínimos de sete dias. Poderão ser negociados fora do período tradicional, que normalmente ocorre entre 1º de outubro e 30 de abril.

Greves em setores essenciaisAtividades consideradas essenciais deverão manter um nível mínimo de funcionamento entre 50% e 75%. A medida reduz o poder de paralisação dos sindicatos nesses setores.

Período de experiênciaA duração do período probatório poderá chegar a seis meses. Em alguns casos específicos, poderá se estender a oito ou 12 meses, com indenizações reduzidas.

Jornada de trabalhoA carga diária poderá aumentar de 8 para até 12 horas. Haverá possibilidade de compensação conforme a demanda, sem pagamento de horas extras.

Negociação coletivaEmpresas poderão firmar acordos diretos com sindicatos locais. O peso das convenções nacionais será reduzido.

Demissões e indenizaçõesO cálculo das indenizações será reduzido. O pagamento poderá ser parcelado em até seis vezes para grandes empresas. Micro, pequenas e médias empresas poderão parcelar em até 12 vezes.

InformalidadeO texto elimina multas por falta de registro trabalhista. Cria mecanismos de regularização. Proíbe a contratação de monotributistas — regime voltado a autônomos — em funções que caracterizam vínculo formal de emprego.

Trabalho digitalTrabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos como autônomos, com regras próprias e acesso a um seguro de proteção. O teletrabalho deixa de seguir obrigações adicionais criadas durante a pandemia.

Pontos excluídos durante a tramitação

A versão aprovada pelo Senado difere da proposta original apresentada pelo deputado Lisandro Almirón, do partido La Libertad Avanza. O governo retirou pontos que enfrentavam maior resistência para construir maioria.

Pagamento em bens ou serviçosUm dos pontos excluídos autorizava o pagamento de parte do salário em bens ou serviços, como moradia e alimentação. O texto aprovado determina que o salário seja pago exclusivamente em dinheiro, em moeda nacional ou estrangeira. Benefícios podem existir apenas como complemento.

Carteiras digitaisOutro ponto previa o pagamento de salários por carteiras digitais e plataformas. A Câmara excluiu essa possibilidade. O pagamento deverá ser feito por bancos ou instituições oficiais de poupança.

Redução de indenização por acidenteFoi retirada a regra que permitia reduzir em até 50% a indenização de trabalhadores que tivessem a capacidade de trabalho afetada por acidente fora do ambiente profissional e não pudessem ser realocados na empresa. A indenização deve ser paga integralmente.

Leia mais: Senado argentino aprova redução da idade penal de 16 para 14 anos

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