Groenlândia prepara população para possível invasão militar dos EUA

Seis países europeus já começaram a enviar tropas para o território ártico na semana passada

Por Redação TMC | Atualizado em
Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, caminha com pessoas durante um protesto na Groenlândia contra a exigência de Donald Trump, de que a ilha ártica seja cedida aos EUA. (Foto: REUTERS/Marko Djurica)

O primeiro-ministro da Groenlândia Jens-Frederik Nielsen orientou os habitantes da ilha a se prepararem para uma eventual invasão militar dos Estados Unidos, durante uma entrevista coletiva nesta terça-feira (20/01).

Nielsen confirmou que as autoridades locais também estão adotando medidas preventivas diante da ameaça americana. Seis países europeus já iniciaram o envio de tropas para o território na semana passada.

O governo da Groenlândia está mobilizando recursos para instruir os cidadãos sobre como agir em caso de conflito. Uma força-tarefa foi designada para elaborar orientações à população, incluindo recomendações sobre estoque de alimentos. As autoridades também preparam panfletos com instruções sobre procedimentos a serem adotados durante uma possível incursão militar.

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“O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, afirmou Nielsen durante a entrevista coletiva. Apesar da gravidade da situação, o premiê ponderou: “Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade. Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior”.

A preparação responde às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que manifestou interesse em anexar o território ártico. Trump afirmou nesta terça-feira que “não há volta atrás” quanto ao seu objetivo de controlar a Groenlândia, sem descartar o uso da força para concretizar esse plano.

A Groenlândia, território sob controle da Dinamarca e membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), encontra-se no centro de uma disputa que pode comprometer a estabilidade da aliança militar ocidental.

A ilha localizada no Ártico é considerada estratégica por Trump, que a descreve como “vital” para a implementação do Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis que o presidente americano pretende construir para proteger os Estados Unidos.

Donald Trump ainda não afirmou se efetivamente avançará com uma ação militar contra o território ou se as negociações diplomáticas prevalecerão. Também permanece incerto como a Otan reagiria a um ataque de um país-membro contra território de outro integrante da aliança.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, demonstrou pessimismo ao declarar que “o pior ainda está por vir” em relação às ações de Trump. “É um capítulo sombrio no qual nos encontramos e podemos, infelizmente, estar em uma situação em que o pior não ficou para trás, mas ainda está à nossa frente”, disse a primeira-ministra dinamarquesa em discurso ao Parlamento de seu país.

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