Banco Master: o que Daniel Vorcaro disse em seu depoimento à Polícia Federal

Banqueiro Daniel Vorcaro admitiu problemas de liquidez antes da intervenção do BC e confirmou encontros com governador do DF

Por Redação TMC | Atualizado em
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, aparece de braços cruzados
(Foto: Divulgação/Banco Master)

Um dos principais assuntos dos últimos meses em Brasília, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez um longo depoimento à Polícia Federal (PF) em dezembro de 2025.

Nesta sexta-feira (23/01), trechos de suas declarações foram vazadas e revelaram o conhecimento do empresário sobre as dificuldades do seu banco. Além disso, ele citou diretamente o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e comentou como tentou vender o Master para o Banco de Brasília (BRB).

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As declarações foram prestadas durante investigação sobre fraudes envolvendo no Master, o que culminou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central (BC) no dia 18 de novembro.

Confira abaixo os principais temas do depoimento de Vorcaro:

Dificuldades do Master

Durante seu relato aos investigadores, Vorcaro admitiu que o Master enfrentava problemas de liquidez, mas garantiu que todos os compromissos financeiros foram honrados até 17 de novembro, véspera da intervenção do BC.

A autoridade monetária determinou a liquidação após identificar falta de liquidez e indícios de fraudes na venda de carteiras de crédito ao BRB que somavam R$ 12,2 bilhões.

FGC como “plano de negócio”

O empresário atribuiu as dificuldades financeiras do banco a mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em seu depoimento, afirmou que “o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado, porque essa era a regra do jogo”. Ele sugeriu que outros bancos pressionaram por alterações nas normas, sem especificar quais.

Relação entre Master e BRB

Segundo as investigações, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao Banco Master entre 2024 e 2025. Desse montante, mais de R$ 12 bilhões foram destinados à compra de carteiras de crédito que, conforme apurado posteriormente, não pertenciam ao Master e não tinham lastro real. O Ministério Público identificou sinais de gestão fraudulenta nessas operações.

As reuniões entre Vorcaro e Ibaneis Rocha ocorreram tanto na residência do banqueiro quanto na casa do governador, em Brasília. O executivo confirmou que nesses encontros discutiu a proposta de venda do Banco Master ao BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.

As reuniões entre o banqueiro e o governador aconteceram durante o período em que as negociações para a venda estavam em andamento.

Na sexta, após o vazamento do depoimento, Ibaneis confirmou ter se encontrado com Vorcaro, mas negou ter discutido a venda do banco. “Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB/Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, declarou o governador.

Leia mais: Ibaneis nega ter discutido venda do Master ao BRB e contradiz depoimento de Vorcaro

Prisão e acareação

Sobre sua detenção no Aeroporto de Guarulhos (SP) em 17 de novembro, Vorcaro negou tentativa de fuga e afirmou ter comunicado o Banco Central sobre a viagem. Após permanecer 12 dias preso, passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Na acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, realizada pela PF, o dono do Master admitiu que sua instituição não desembolsou nenhum valor para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões. Segundo ele, o valor ficou apenas registrado contabilmente em uma conta reserva.

Ligações com políticos

Famoso pelas conexões em Brasília, Vorcaro citou nominalmente apenas o governador do DF e diretores do Banco Central. Não foram mencionados ministros, parlamentares ou dirigentes de órgãos públicos.

Em tom de ironia, o banqueiro afirmou que, se tivesse tão boas relações na capital federal, não estaria preso em casa, com uso de tornozeleira eletrônica.

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