Após 21 dias sem vestígios, polícia muda estratégia nas buscas por crianças no Maranhão

Forças de segurança percorreram mais de 200 km em operações terrestres e aquáticas sem localizar os irmãos de 4 e 6 anos desaparecidos em Bacabal desde 4 de janeiro

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Arquivo Pessoal)

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão redirecionou os esforços nas buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que completam 21 dias desaparecidos neste sábado (24/01) em Bacabal. A nova abordagem prioriza a investigação policial após três semanas sem vestígios das crianças nas áreas vasculhadas.

As equipes concluíram varreduras em 45 quadrantes da mata sem encontrar pistas dos irmãos, que desapareceram no dia 4 de janeiro no Quilombo São Sebastião dos Pretos. Apesar da redução nas operações em campo, as autoridades mantêm grupos em prontidão para retomar as buscas caso surjam novos indícios.

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O primo de 8 anos das crianças, único encontrado até o momento, passou a auxiliar nas buscas após receber alta hospitalar na terça-feira (20/01). Com autorização judicial, o menino acompanhou as equipes junto com policiais e profissionais da rede de proteção à infância, indicando os trajetos percorridos pelo grupo.

“O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade“, afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão.

O menino permaneceu 14 dias internado após ser encontrado com vida por carroceiros em 7 de janeiro, três dias depois do desaparecimento. Durante o percurso com as equipes, ele mostrou os caminhos que fez com os primos até o momento em que foi localizado.

Uma das principais informações fornecidas pelo primo foi a existência de um abrigo improvisado. Ele descreveu o local como “uma casa caída”, com objetos abandonados. O secretário Mauricio Martins confirmou que “Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu”.

Segundo o relato do menino, a intenção inicial do grupo era chegar até um pé de maracujá próximo à casa do pai dele. Para evitar serem vistos por um tio, entraram em outro trecho da mata, momento em que se perderam.

O delegado Ederson Martins explicou sobre o momento da separação: “Ele não fala se ele seguiu para procurar ajuda ou para tentar voltar ao ponto inicial. As duas outras crianças já estavam extenuadas e ele resolveu seguir”.

Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações terrestres e aquáticas, incluindo áreas de mata fechada e o rio Mearim. Mais de mil pessoas participaram das operações, entre agentes das forças de segurança estadual, federal e voluntários.

“Infelizmente, nós não encontramos as crianças. Vamos redirecionar os trabalhos, dando foco às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento, incluindo o Exército Brasileiro“, declarou o secretário Maurício Martins.

O inquérito policial já ultrapassa 200 páginas e conta com apoio de um sistema nacional que permite acesso a bancos de dados de outros estados. Para ampliar o alcance das buscas, a Polícia Civil acionou o protocolo Amber Alert, que emite alertas emergenciais num raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento através de plataformas como Facebook e Instagram.

Sobre esta ferramenta, o secretário Maurício Martins explicou: “Esse programa é essencial para aumentar o alcance da busca”.

Uma rede de proteção foi estabelecida para garantir que o menino encontrado receba acompanhamento psicológico contínuo e permaneça protegido de exposição inadequada durante o processo de investigação.

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