O pai de Henry Borel, Leniel Borel, fez duras críticas à decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros durante entrevista ao programa TMC 360, nesta quarta-feira (10/06). Em tom emocionado, ele classificou o desfecho do julgamento como uma das experiências mais difíceis desde a morte do filho.
“É revoltante essa decisão final. Onze dias foram muito piores do que os cinco anos que esperei por esse momento. Foi como se matassem o Henry pela terceira vez”, afirmou.
Durante a entrevista, o pai de Henry afirmou que o julgamento ignorou elementos que, em sua avaliação, comprovavam a responsabilidade da ex-companheira de Jairinho no caso.
“Não importaram as provas, a materialidade. A juíza já estava convicta da decisão e conseguiu levar o júri junto”, declarou.
Leniel também voltou a questionar a atuação da magistrada responsável pelo processo. Segundo ele, familiares da vítima já manifestavam preocupação com a condução do caso. “A gente já vinha falando sobre a parcialidade dessa juíza no processo há muito tempo”, disse.
Ele relembrou ainda decisões anteriores que beneficiaram Monique Medeiros e afirmou que a soltura da ré trouxe consequências para sua família. “Quando ela foi solta, começou a me coagir. Disse que eu tinha que morrer, que tinha que ter câncer”, afirmou.
Ao comentar o perdão judicial concedido a Monique, Leniel classificou a decisão como uma “aberração” e disse que ela representa um recado preocupante para a sociedade.
“Esqueceram que foi uma criança brutalmente morta. É um descaso com as mães e pais que perderam seus filhos. A sociedade está perplexa”, declarou.
Para ele, o caso ultrapassa a história de Henry Borel e passa a envolver a proteção de outras crianças.
“Esse caso não é mais só sobre o Henry. É sobre milhares de crianças que perdem a vida. Outros agressores estão olhando o que aconteceu com a Monique. Mais crianças vão morrer por causa de decisões como essa”, afirmou.
Leniel também criticou o que considera uma inversão de prioridades no sistema de Justiça.
“Parece que o foco está no criminoso. A Monique foi considerada culpada e agora vai se vitimizar”, disse.
Ao final da entrevista, ele questionou a ausência de manifestação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o caso e reafirmou que continuará buscando a revisão da decisão.




