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Caso Cão Orelha: familiares de adolescentes são indiciados por coação 

Familiares dos suspeitos de matar Orelha teriam ameaçado um vigilante que tinha imagens do caso

A Polícia Civil indiciou, nesta teça-feira (27/1) três adultos por coação de testemunha na investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha. 

Os suspeitos são dois empresários e um advogado, familiares dos quatro adolescentes investigados pela agressão fatal ao animal na Praia Brava. A coação é ato de constranger ou ameaçar uma pessoa a realizar algo contra sua vontade sob ameaça.

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O inquérito sobre a coação foi concluído na noite de segunda-feira (26/1) pela Delegacia de Proteção Animal da Capital. A investigação identificou que os indiciados teriam ameaçado um vigilante de condomínio que possuía imagens potencialmente importantes para o caso, levando ao afastamento do funcionário por questões de segurança.

A Polícia Civil dividiu a apuração em dois inquéritos distintos. No procedimento específico sobre a coação, 22 pessoas prestaram depoimento. As autoridades não conseguiram apreender os aparelhos eletrônicos dos adultos investigados por falta de autorização judicial.

Dois dos quatro adolescentes suspeitos permanecem em Florianópolis e foram alvos de operação policial na segunda-feira. Os outros dois estão nos Estados Unidos para uma “viagem pré-programada”.

A polícia analisa mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança para esclarecer completamente o caso.

Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro na Praia Brava, área nobre de Florianópolis. O animal foi encontrado machucado e agonizando por populares, sendo levado a uma clínica veterinária. No dia 5 de janeiro, devido à gravidade dos ferimentos, Orelha precisou passar por eutanásia.

A denúncia sobre o caso chegou às autoridades apenas no dia 16 de janeiro, doze dias após a agressão. Os exames periciais confirmaram que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina, que não foi localizado.

Os mesmos adolescentes suspeitos da morte de Orelha também são apontados como responsáveis por tentar afogar outro cão comunitário chamado Caramelo. A identidade e as idades dos suspeitos não foram divulgadas em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Quem era Orelha, o cão comunitário de Praia Brava

Na região da Praia Brava, em Florianópolis (SC), existem três casinhas destinadas aos cães comunitários que se tornaram mascotes locais. Orelha, com aproximadamente 10 anos, era considerado um símbolo da área e recebia cuidados dos moradores e frequentadores.

O aposentado Mário Rogério Prestes, responsável pelos animais, declarou: “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”.

A médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava Orelha, descreveu o animal como “sinônimo de alegria” e parte frequente de sua rotina. “Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou a veterinária.

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