O presidente Lula (PT) definiu Olavo Noleto, atual secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, como novo ministro das Relações Institucionais.
A mudança foi confirmada nesta terça-feira (27/01). Noleto substituirá Gleisi Hoffmann, que deixará o cargo para concorrer ao Senado nas eleições de outubro deste ano.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
Noleto possui experiência anterior na pasta, tendo atuado como secretário-executivo das Relações Institucionais durante a gestão de Alexandre Padilha. Em determinados períodos, chegou a comandar temporariamente o ministério.
Entre 2009 e 2015, ele ocupou a Secretaria de Assuntos Federativos da Presidência da República nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT). Posteriormente, entre 2015 e 2016, atuou como secretário-executivo da Secretaria de Comunicação do Planalto.
Sua trajetória profissional inclui passagens por administrações municipais, com cargos nas prefeituras de Maricá (RJ), Aparecida de Goiânia (GO) e Goiânia (GO). No início do atual governo, era considerado potencial candidato a deputado federal pelo PT de Goiás.
Além disso, Noleto integrou conselhos de empresas estatais como a Transpetro em 2014 e a EBC entre 2015 e 2016.
A substituição no Ministério das Relações Institucionais faz parte de uma série de mudanças que ocorrerão no governo federal devido ao calendário eleitoral. A legislação determina que ministros e outros integrantes do governo que pretendem se candidatar precisam deixar seus cargos até o início de abril, seis meses antes da votação.
Na Casa Civil, a secretária-executiva Miriam Belchior deve assumir o comando quando Rui Costa deixar o cargo em abril. Belchior tem longa trajetória em governos petistas desde os anos 1990 e foi ministra do Planejamento entre 2011 e 2015, durante o governo Dilma Rousseff.
Leia mais: Ronaldo Caiado anuncia saída do União Brasil
Na Fazenda, Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta, é o provável substituto de Fernando Haddad. Durigan é descrito como uma espécie de CEO do ministério e conquistou a confiança de Lula nos últimos anos.
O Ministério das Relações Institucionais, sediado em Brasília, é responsável pela articulação política entre o governo federal e o Congresso Nacional. A pasta desempenha papel fundamental nas negociações com parlamentares, especialmente em relação às emendas orçamentárias.
Além de Gleisi, outros integrantes do ministério também deixarão seus cargos para disputar eleições. O secretário de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano, deve concorrer a deputado estadual no Rio de Janeiro.
Júlio Pinheiro, secretário de Assuntos Federativos, e Moema Gramacho, secretária-executiva do Conselho da Federação, são mencionados como possíveis candidatos.
Parlamentares consultados indicam que o perfil ideal para o cargo seria alguém com maior trajetória política em Brasília. No entanto, reconhecem que a maioria dos políticos com esse perfil estará envolvida nas eleições deste ano.
Congressistas avaliam que o calendário para pagamento das emendas parlamentares de 2026, aprovado no final do ano passado, deve diminuir possíveis conflitos entre o Legislativo e o Executivo, uma vez que haverá menos negociações em torno dos desembolsos.
Um ponto de preocupação manifestado por integrantes do Congresso refere-se a um acordo firmado com Gleisi para acelerar os pagamentos de emendas informais – recursos controlados pelo governo federal, mas com destinações negociadas com parlamentares. Há questionamentos sobre a manutenção desse acerto pelo novo ministro.
Os secretários-executivos funcionam como “vice” dos ministros, sendo responsáveis por organizar o fluxo de trabalho e assumir o comando temporariamente durante ausências dos titulares. Ainda não está definido se todos os secretários-executivos assumirão efetivamente as pastas ministeriais ou se haverá novas nomeações.
A estratégia de Lula visa fortalecer sua base política para um eventual segundo mandato. O presidente quer que ministros e aliados com força política local deixem seus cargos para disputar as eleições, buscando formar uma base mais numerosa e coesa no Congresso a partir de 2027, caso seja reeleito.
