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Mineração no fundo do mar pode ter “consequências desastrosas”, alerta especialista

Professor da USP explica os riscos da nova medida aprovada pelos EUA que acelera a mineração em águas profundas internacionais

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos estabeleceu um novo regulamento que simplifica o processo de licenciamento para empresas americanas extraírem minerais críticos do fundo do oceano em águas internacionais.

A medida publicada na última quarta-feira (21/1) pelo governo Trump acelera as regras para permitir a mineração em águas internacionais, para a mineração de metais como cobre, cobalto e níquel, que são essenciais para a transição energética e para a disputa comercial com a China.

Na prática, isso pode desencadear uma “corrida do ouro” por recursos marinhos antes que regulamentações globais sejam definidas.

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Em entrevista à TMC, o professor e pesquisador do Departamento de Oceanografia da USP, Luigi Jovane, alerta que essa corrida marítima pode ter consequências irreversíveis para o planeta.

Segundo ele, o fundo do mar é mais desconhecido do que a Lua ou Marte, e a remoção de rochas que levam milhões de anos para se formar pode provocar um desequilíbrio profundo na química dos oceanos.

“O que está se propondo é recolher materiais que estão no fundo do mar que demoram milhões de anos para crescer. Porém, não se sabe o que vai acontecer com o equilíbrio dos oceanos ao remover esses materiais”, explicou Luigi Jovane.

O risco, afirma o especialista, é uma exploração predatória que ignore processos biológicos e geológicos fundamentais: “A gente pode iniciar processos de mudanças da química dos oceanos, que podem criar consequências desastrosas pelo mundo inteiro, muito pior das mudanças climáticas estão acontecendo hoje”, alerta o especialista.

O professor da USP defende que mais estudos são necessários antes dessa mineração começar: “Remover esse minerais sem saber é um risco gigantesco. Portanto, é necessário urgentemente fazer esses estudos e entender quais são as consequências dessa extração”.

Esses estudos, porém, são caros e demandam anos de para serem realizados, segundo o especialista.

Confira a entrevista completa com o professor e pesquisador do Departamento de Oceanografia da USP, Luigi Jovane no Youtube da TMC:

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