O Banco Central (BC) iniciou uma investigação interna para identificar possíveis falhas na fiscalização do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A sindicância começou no final de 2025 por determinação do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Nesta quinta-feira (29/01), foi confirmado que os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) deixaram seus cargos durante o processo investigativo.
A corregedoria do BC conduz a apuração sob sigilo, buscando um diagnóstico completo do escândalo para aperfeiçoar regras e controles futuros. Até o momento, não existem acusações formais contra os servidores que entregaram seus postos. Fontes internas indicam que o objetivo não é realizar perseguições, mas compreender as causas do problema.
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Paulo Sérgio Neves de Souza foi o primeiro a deixar o cargo no Desup. Servidor de carreira e ex-diretor de fiscalização do BC, ele havia autorizado a aquisição do Banco Máxima por Vorcaro, que posteriormente mudou o nome para Master. Souza atuava como chefe-adjunto do departamento. Em seguida, Belline Santana, que chefiava o Desup, também entregou seu cargo.
Em comunicado oficial sobre as mudanças nos cargos de chefia, o BC afirmou que “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”. Um funcionário da instituição, que pediu para não ser identificado, comparou a situação a uma “Queda de avião”, referindo-se à gravidade do caso.
A investigação foi determinada após a identificação de irregularidades nas operações do Banco Master, que apresentou crescimento acelerado no mercado financeiro. A instituição captava recursos via CDBs com taxas superiores às praticadas pelos concorrentes, oferecendo retornos de até 140% do CDI, enquanto outros bancos geralmente emitem papéis com rendimento de até 98% do índice.
Com o esgotamento desse modelo de negócios e dificuldades para honrar compromissos, o banco passou a ser monitorado mais de perto pelo BC a partir de 2024. O escândalo veio à tona em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decidiu liquidar a instituição, encerrando suas atividades, afastando administradores e bloqueando patrimônio para pagar credores.
No mesmo dia da liquidação do Master, a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar suspeitas de fraudes. A investigação focou em uma operação de venda de carteiras de crédito com indícios de irregularidade no valor de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.
A investigação conjunta da PF com o BC identificou indícios de irregularidades no relacionamento entre o Banco Master e a gestora de recursos Reag DTVM, que foi liquidada em 15 de janeiro de 2026. Um caso emblemático envolve um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pelo banco de Vorcaro à Brain Realty Consultoria, dirigida por uma ex-funcionária da Reag.
Após receber os recursos, a Brain Realty transferiu o dinheiro para o Fundo Brain Cash, criado pela Reag apenas 20 dias antes, com patrimônio inicial de R$ 15 mil. A aplicação de R$ 450 milhões no fundo foi relâmpago. Em apenas uma hora e meia, os recursos foram transferidos para o Fundo D Mais.
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Três minutos depois, este fundo transferiu R$ 450 milhões ao FIDC High Tower para quitar parte de uma aquisição de papéis do Besc. O fundo reavaliou esses ativos para R$ 10,8 bilhões, registrando uma rentabilidade de 10.502.205% em 2024. Para efeito de comparação, a maior criptomoeda do mundo rendeu aproximadamente 120% em dólar no mesmo período, enquanto o ouro valorizou 61,6% em reais.
Tanto o Master quanto a Reag negaram qualquer irregularidade nas operações quando contatados. As apurações da Polícia Federal sobre as operações suspeitas envolvendo o Master, o BRB e a Reag DTVM continuam em andamento.
