A Mocidade Alegre, uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo, vai homenagear a atriz brasileira Léa Garcia no samba-enredo de 2026.
O tema “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra” celebra o legado de Léa, exalta a ancestralidade, a força feminina, a resistência e o protagonismo negro.
Em entrevista à TMC, o carnavalesco da Mocidade, Caio Araújo, fala sobre os preparativos para o carnaval e o significado do samba-enredo escolhido para 2026:
“A ideia central desse enredo é falar do legado que a Léa Garcia construiu. Ela é uma atriz gigantesca, com sucessos memoráveis na carreira dela, porém ao mesmo tempo, que não recebeu em vida todo o reconhecimento que ela merecia. Nós queremos prestar essa homenagem à ela”.
Segundo o carnavalesco, o desfile vai recriar os principais momentos da carreira de Léa e representar, por meio das fantasias, carros alegóricos e pelo samba-enredo, como a atriz lutou para derrubar estereótipos.
“Vamos contar como a Léa foi pioneira em lutar para tirar os atores e atrizes negras dos estereótipos de interpretarem sempre escravos ou empregados domésticos e como ela foi construindo, a cada passo, um caminho que deixasse mais fácil para as próximas gerações de atores e atrizes pretas conseguirem ter mais possibilidades”, explicou Caio Araújo.
O desfile da Mocidade vai encerrar com uma grande homenagem a atriz: “a gente finaliza o desfile celebrando o legado da Léa e entregando simbolicamente pra ela o Kikito (o prêmio máximo do Festival de Cinema de Gramado), que ela ia receber no mesmo dia que ela falece. Infelizmente a Léa Garcia não pôde receber esse prêmio em mãos, mas a Mocidade vai entregar isso pra ela no Anhembi“, adiantou o carnavalesco.
Confira a letra do samba-enredo da Mocidade Alegre
“Laroyê! Bate três vezes…
Ê mojubá! A Deusa Negra é ela!
A filha de Oxumarê
Que traz no sangue a força da mulher
Pisa forte nesse chão
Afirmando seu lugar
Pra fazer revolução
Seu direito conquistar
Nosso povo entra em cena
A arte nunca pode se render
Ecoa a voz do “Nascimento”
Orfeu sobe o morro pra vencer!
Lerê! Lerê! Lerererere!
Lerê! Lerê! Lerererere!
A guerreira no “Quilombo”
Fez valer o seu papel
Pela luz das yabás
Todo preto vai pro céu!
Consagração, da negritude
Resiste entre tantos personagens
A pele preta é armadura
No palco, expressão de liberdade
Evoé, mulher!
Igual a ti eu nunca vi
Você ainda está aqui
Pra sempre, presente!
É sua coroação
Protagonista no meu pavilhão
Ô! Malunga!
Ô! Malunga ê!
Malunga Léa, arroboboi
Toca o bravum com ancestralidade
No terreiro Mocidade!”
